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Trump diz que Rússia e Ucrânia chegaram a um ‘cessar-fogo na energia’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo que a Ucrânia e a Rússia haviam concordado com o que ele descreveu como um "cessar-fogo energético", horas depois de o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter resistido à pressão dos EUA por um fim unilateral aos ataques contra refinarias russas.

Valor Econômico5 min de leitura
Trump diz que Rússia e Ucrânia chegaram a um ‘cessar-fogo na energia’

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Em uma publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o cessar-fogo energético entraria em vigor imediatamente, mas não deu mais detalhes.

Em entrevista ao site Axios, Zelensky disse que a publicação de Trump foi a primeira notícia que teve sobre o acordo, embora uma autoridade ucraniana de alto escalão tenha dito à Reuters que a Ucrânia estava pronta para concordar com tal cessar-fogo, caso a Rússia também o fizesse.

Trump — cuja política em relação à guerra tem sido apontada como causa dos preços elevados do diesel, fator que pesa sobre as perspectivas dos republicanos nas eleições de meio de mandato do próximo mês — já havia anunciado um cessar-fogo energético na Ucrânia em meados de setembro, embora nenhum dos lados tenha confirmado a concretização de tal acordo.

"Com efeito imediato, há um CESSAR-FOGO ENERGÉTICO na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ambas as partes concordaram. Não o violem!", escreveu Trump na rede social Truth Social.

Mais cedo neste domingo, Zelensky havia reiterado a posição de longa data da Ucrânia de que estaria disposta a interromper os ataques a refinarias russas, mas apenas se Moscou cessasse seus próprios ataques à infraestrutura energética ucraniana.

Qualquer acordo desse tipo precisaria vir acompanhado de "garantias reais", disse Zelensky.

"A verdadeira causa da guerra na Europa é a Rússia, e somente a Rússia", afirmou Zelensky. "É possível interromper os ataques à infraestrutura energética ainda hoje, mas Putin não quer fazer isso."

Promessa de eleições

Em uma drástica deterioração de suas relações, Trump alertou Zelensky no sábado que era "bom que ele parasse de uma vez" de atacar refinarias russas e instou os ucranianos a substituí-lo na liderança por meio de novas eleições, alegando que ele havia perdido várias oportunidades de fechar um acordo com Moscou.

Ao participar do programa "This Week", da rede ABC, no domingo, Zelensky respondeu que organizaria eleições na Ucrânia se o presidente russo, Vladimir Putin, concordasse com um cessar-fogo de 60 dias.

Zelensky afirmou que cabia aos ucranianos escolher seu líder, mas ressaltou que, antes, era necessário acabar com os combates. A legislação ucraniana proíbe a realização de eleições durante a vigência da lei marcial por motivos de segurança.

"Por favor, digam a Putin: dê-nos dois meses, 60 dias de cessar-fogo total — 60 dias — e nós organizaremos as eleições", disse Zelenskiy.

O líder ucraniano rejeitou ser responsabilizado pela alta nos preços de energia, acrescentando que "todos no mundo" sabiam que a guerra no Oriente Médio era um fator de maior peso.

A forte alta nos preços globais do diesel, ocorrida após a eclosão da guerra envolvendo o Irã em fevereiro, tornou-se um problema político para o Partido Republicano de Trump às vésperas das eleições de meio de mandato, quando os democratas da oposição poderão conquistar o controle de uma ou de ambas as casas do Congresso.

No sábado, Zelensky reagiu com indignação ao anúncio de Trump sobre um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia, afirmando que a medida encorajaria os ataques de Moscou à Ucrânia e levaria a uma maior perda de vidas civis.

Analistas avaliaram que o acordo de fornecimento de diesel firmado por Trump com Moscou dificilmente resultaria em uma queda sustentada nos preços dos combustíveis, uma vez que os volumes envolvidos eram muito reduzidos.

O acordo sobre o diesel também foi criticado por legisladores americanos, incluindo um colega republicano de Trump, o deputado Don Bacon, que afirmou ser o momento de aplicar mais sanções, e não de suspendê-las.

Moradores de Kiev indignados

Nas ruas de Kiev, vários moradores expressaram indignação com a sugestão de Trump de que a Ucrânia deveria encontrar um novo líder disposto a fazer um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin.

"Ninguém tem o direito de nos dizer o que fazer, especialmente porque não é possível realizar eleições em tempo de guerra", disse Sabina, uma professora do ensino fundamental de 40 anos. "Na minha opinião, é uma traição por parte de nossos parceiros", afirmou ela, referindo-se às declarações de Trump.

Zelensky disse que continuaria as discussões com líderes europeus no domingo, e que havia conversas diárias sobre pacotes adicionais de defesa aérea, incluindo munição para aeronaves de combate usadas para abater drones a jato da Rússia.

Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, deve participar de uma reunião do Conselho de Relações Exteriores da União Europeia (UE), na qual se espera discutir o aumento da pressão das sanções sobre a Rússia e o avanço das negociações para a adesão da Ucrânia ao bloco.

AP/Julia Demaree Nikhinson

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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