Dólar fica perto da estabilidade no último pregão antes do 1º turno das eleições
O câmbio doméstico fechou o pregão desta sexta-feira praticamente estável, após mostrar um comportamento bastante volátil durante a manhã.

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O cenário externo foi um vetor de enfraquecimento do dólar frente ao real, especialmente após dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, ainda que os agentes financeiros também tenham ajustado posições no último pregão antes do primeiro turno das eleições, ampliando a volatilidade na sessão.
No fim do dia, o dólar fechou a R$ 5,2158 no mercado à vista, em queda de 0,08%, enquanto o dólar futuro para novembro recuava 0,50%, a R$ 5,2340. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana frente a outras seis moedas principais, cedia 0,18%, aos 101,911 pontos.
É grande a apreensão entre participantes do mercado antes do primeiro turno da eleição presidencial, o que leva o real a ter um desempenho mais fraco que o de outras divisas emergentes na sessão desta sexta-feira, apesar do tom positivo do exterior após a fraqueza inesperada do “payroll”.
“Os investidores estão ‘enquadrando’ as posições e optando por reduzir risco antes do evento”, observa um gestor, em condição de anonimato.
No acumulado da semana, apesar da alta do dólar, o real ainda exibe um movimento mais forte que o de outras moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
As atenções dos participantes do mercado, agora, se voltam para a votação do próximo domingo e para o resultado do primeiro turno, em especial a distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto.
“Mantemos uma postura neutra quanto ao resultado do pleito em si, mas encaramos uma alta rápida [do dólar] em direção a R$ 5,30 como uma boa oportunidade para aumentar posições compradas em real, dados os ‘valuations’ muito atrativos”, afirma o estrategista Alvaro Vivanco, do Wells Fargo, em nota enviada a clientes nesta sexta-feira. Ele diz, ainda, que, caso Flávio vença, é possível que o dólar teste níveis mais baixos e que caia a R$ 4,75 em um primeiro rali.
Segundo a equipe de estratégia do BBVA, embora o real esteja no patamar mais fraco de sua faixa de negociação dos últimos meses, a divisa brasileira não sofreu uma desvalorização tão acentuada quanto a de seus pares nas últimas semanas. “Isso sugere que os investidores estão otimistas quanto às chances de vitória de Flávio Bolsonaro, candidato visto como mais favorável ao mercado", afirmam.
Na visão deles, uma vitória de Bolsonaro poderia desencadear uma valorização do real. “Uma vantagem inferior a 2 pontos percentuais do presidente Lula no primeiro turno também poderia ser interpretada como positiva para a moeda, enquanto uma diferença maior a favor de Lula poderia pressionar o real e reverter seu desempenho relativo superior recente, levando o dólar à faixa de R$ 5,30. De todo modo, um segundo turno parece inevitável", concluem.
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