Europa tenta equilibrar forças diante de concorrência externa do aço
O mercado europeu de aço continua sob forte pressão, com queda de 20% das exportações no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. A produção no continente se mantém em níveis historicamente baixos e a demanda deve permanecer estável em 2026, avalia a Associação Europeia do Aço (Eurofer).

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Um novo Regulamento Europeu do Aço, que entrou em vigor em julho, busca contornar o problema e estimular o consumo do produto local ao redesenhar o sistema de controle das importações e fixar em 18,3 milhões de toneladas por ano o volume total de aço que pode entrar na União Europeia sem tarifa adicional, uma redução de cerca de 47% em relação a 2024, ano de referência. O que ultrapassar essa cota terá tarifa de importação de 50%, em vez dos 25% aplicados anteriormente.
Especialistas avaliam que o problema europeu de competitividade inclui custos elevados de energia, tarifas, excesso de capacidade global, sobretudo chinesa, e custos de descarbonização, que neste ano chegaram também ao importador. Como siderúrgicas europeias precisam arcar com as autorizações de emissões de gases de efeito estufa, foi criado um instrumento para equilibrar as condições de concorrência ao fazer com que o aço importado tenha um custo de carbono equivalente ao pago pelas indústrias do continente.
O Mecanismo de Ajustamento de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM, na sigla em inglês), em vigor desde janeiro em sua forma definitiva, determina que seja acrescida, ao aço importado, uma variável difícil de calcular, que depende das emissões geradas na fabricação. Relatos colhidos pela Eurometal, federação que reúne distribuidores e processadores europeus de aço e metais, mostram que as empresas passaram a considerar, além do preço do aço, o provável custo do CBAM e a qualidade dos dados das emissões dos fabricantes. Compradores estariam avaliando de forma diferente fornecedores de Turquia, Argélia e Indonésia justamente por conta dos riscos associados ao mecanismo.
Michael Lund, CEO da distribuidora dinamarquesa de aço inoxidável Damstahl, declarou durante o Global CBAM Fórum, em maio, que o CBAM deixou de ser apenas uma questão de sustentabilidade ou conformidade e se tornou um elemento comercial central, que afeta preços, competitividade, relação com clientes e gestão de riscos. A empresa passou a incorporar a intensidade de carbono nas decisões de compra e reforçou nos contratos a responsabilidade pela precisão dos dados, disse Lund.
Na prática, o carbono passa a ser uma variável de competitividade e o aço de baixa emissão, com dados que possam ser verificados, ganhou vantagem comercial. Agora se discute a extensão do mecanismo para produtos de aço e alumínio processados, já aprovada pelo Parlamento Europeu. A Eurometal considera positiva a ampliação da lista, mas ressalta que ela ainda está incompleta. A federação alerta para uma “fuga de carbono para etapas posteriores da cadeia”, afirmando que em vez de importar aço, empresas europeias podem optar por produtos acabados fabricados fora da UE, onde não incidem custos de carbono equivalentes.
A indústria automotiva acompanha de perto a possível extensão de produtos do CBAM, preocupada em como ampliar o mecanismo sem tornar sua aplicação excessivamente complexa — e cara. A Acea, que reúne grandes montadoras do bloco, afirma que a proposta pode aumentar custos e burocracia antes mesmo de o atual sistema ter sido plenamente testado.
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