Skip to content
Newra News
Economy

Discurso antissistema naufraga, e Renan não deve apoiar ninguém

Renan Santos: intenção é fortalecer a bancada eleita este ano para nova candidatura presidencial em 2030

Valor Econômico6 min read
Discurso antissistema naufraga, e Renan não deve apoiar ninguém

Excerpt

Adriano Machado/Reuters

A aposta no discurso antissistema e contra a polarização não foi suficiente para fazer a candidatura de Renan Santos, do estreante Missão, decolar. Ele chega na reta final da eleição com status de “nanico”, sem conseguir ultrapassar a marca do 5% das intenções de voto nas pesquisas, e sinaliza que não apoiará nenhum dos concorrentes em um eventual segundo turno.

Presidente do Missão, partido criado no ano passado, Santos entrou na disputa com dois desafios: ampliar seu grau de conhecimento entre os eleitores e formar uma bancada representativa no Congresso. Hoje, a sigla conta apenas com um deputado, Kim Kataguiri (SP), que busca a reeleição e é considerado um dos principais nomes da legenda.

Ao fazer um balanço da disputa, a coordenadora Amanda Vettorazzo (União) aponta como principal acerto a decisão de “tirar a campanha do estúdio e colocar na rua”. Ainda na pré-campanha, Santos percorreu ao menos 100 cidades do interior do país para divulgar seu nome. Levantamentos da Quaest mostram que a parcela de eleitores que diziam não conhecer o candidato caiu de 75%, em abril, para 50%, no fim de setembro.

Após a primeira caravana por municípios classificados pelo partido como “esquecidos”, Santos antecipou o lançamento da campanha, sob o argumento de que havia recebido ameaças de facções criminosas, episódio que até agora não foi esclarecido.

Quase duas semanas depois de formalizar a chapa “puro-sangue”, que tem como vice Aroldo Medina, o Missão realizou um congresso para lançar o programa de governo e apresentar os candidatos da legenda aos Executivos estaduais. O evento teve ingressos entre R$ 94 e R$ 7 mil, do pacote básico ao VIP, como parte da estratégia de arrecadação para a campanha, que conta com orçamento enxuto.

O Renan fez campanha diferente, com coragem para colocar as ideias dele em debate”

O Missão recebeu R$ 3,3 milhões do fundo eleitoral para distribuir entre todos os candidatos. Santos decidiu, porém, custear a própria campanha por meio de uma vaquinha virtual, que arrecadou cerca de R$ 2,54 milhões.

A candidatura enfrentou ainda episódios envolvendo a Justiça Eleitoral. O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu e depois liberou a propaganda de Santos em sites e perfis nas redes sociais, após identificar ao menos 16 contas registradas depois do pedido de candidatura. Em outro episódio, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, foi filiado de forma fraudulenta ao Missão, caso que passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF).

Desde o início da propaganda eleitoral, em 16 de agosto, Santos se apresenta como alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o filho de Jair Bolsonaro. O discurso combativo contra os dois adversários marcou a campanha, especialmente no debate da Band, quando chamou Lula de “bêbado” e Flávio de “cagão”. Augusto Cury (Avante) reagiu e afirmou que o candidato do Missão tinha “um perfil muito agressivo”. Após o episódio, o candidato do Missão modulou o tom.

A estratégia de comunicação, porém, não se traduziu em crescimento consistente nas pesquisas. Santos oscilou entre 3% e 4% nos principais levantamentos ao longo da campanha. Na reta final, segundo o Datafolha divulgado na quinta-feira (1º), Lula e Flávio aparecem à frente, com 42% e 38% das intenções de voto, respectivamente, enquanto os demais candidatos estão abaixo de 10%.

Mesmo com dificuldade em “furar a bolha”, Santos conseguiu apresentar suas principais bandeiras ao eleitorado, como suas propostas para a área da segurança pública. O candidato é um entusiasta do modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que costuma ser bastante criticado por especialistas da área por violações aos direitos humanos.

O líder salvadorenho adotou o regime de “tolerância zero” no combate às gangues locais e, desde 2022, o país vive sob um regime de exceção, com a suspensão de direitos constitucionais, o que permite prisões em massa sem mandado e detenções prolongadas.

Ao longo da campanha, o presidenciável destacou por diversas vezes que seu eventual governo vai declarar “guerra” contra o crime organizado para recuperar territórios ocupados por facções. Ele também afirmou que poderia decretar estado de exceção em favelas e que não cumpriria decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerasse ilegais.

Outra proposta que ganhou repercussão foi fortalecer a soberania nacional por meio de um programa nuclear que poderia incluir a produção de bombas atômicas. Santos aventou, ainda, a possibilidade de o Brasil reconsiderar sua participação no Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), a exemplo da Coreia do Norte, que, segundo ele, é “respeitado internacionalmente”, embora não aprove o caráter do regime de Kim Jong-un. A Constituição, porém, estabelece que a atividade nuclear no país deve ter fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso.

Com os desdobramentos do caso Master, Santos ganhou munição para aumentar as críticas a Flávio, embora também direcione ataques a Lula e ao STF. Ao longo da campanha, o presidenciável defendeu uma reforma do Judiciário e afirmou que, se eleito, atuaria para “expulsar” ministros do Supremo envolvidos no escândalo, citando Toffoli e Alexandre de Moraes como exemplos.

Em um tour de ônibus por cidades do Sul e do Sudeste, onde estão as principais apostas do partido para o Congresso, anunciado 20 dias antes da eleição, Santos disse que não votará “em ladrão” nem pedirá aos eleitores que votem “em ladrão”, em uma referência a Lula e Flávio.

Embora as caravanas sejam apontadas como um dos pontos altos da campanha, um integrante ouvido sob reserva avalia que o trabalho de exposição deveria ter começado antes da reta final da corrida eleitoral e explorado também cidades do Nordeste.

Para Vettorazzo, o principal mérito da campanha foi levar a candidatura para fora dos estúdios. “O Renan fez uma campanha diferente, com coragem para colocar as ideias dele em debate e disposição para percorrer o Brasil”, afirmou. Segundo ela, a estratégia permitiu ao candidato percorrer o país, realizar eventos e apresentar suas propostas mesmo com menos recursos e sem tempo de televisão.

A campanha já trabalha também com o cenário pós-eleitoral. Mesmo diante de uma provável derrota no primeiro turno, integrantes do Missão falam em fortalecer a bancada que deve ser eleita de olho em uma nova candidatura presidencial em 2030.

Read at source

Story published by Valor Econômico. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.

Read next

Newsletter

The world does not fit in your feed. The right summary fits in your morning.

Get the Newra Daily by email: the day’s article, written from the main stories, in a single read.

One email a day. Unsubscribe whenever you want, in one click.