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Motociclista tenta voltar a andar 10 meses após ter pernas esmagadas em acidente: 'Me tiraram a autonomia'

Acidentes de trânsito sobem e deixam 189 mortes no ano na região de Rio Preto

G15 min read
Motociclista tenta voltar a andar 10 meses após ter pernas esmagadas em acidente: 'Me tiraram a autonomia'

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Há dez meses, Rodrigo Aparecido de Paula, de 38 anos, tenta voltar a ficar de pé após ter sido atingido por um carro enquanto pilotava uma moto em um cruzamento em São José do Rio Preto (SP). O impacto provocou ferimentos graves: as duas pernas foram esmagadas, o que mudou completamente a rotina do motociclista, que antes trabalhava e tinha uma vida ativa.

O acidente aconteceu no dia 29 de dezembro de 2025, por volta das 15h30, no cruzamento das ruas Luiz Arnaldo Giglioti e Oseias Duarte, no bairro Centenário da Emancipação. Rodrigo voltava do trabalho quando foi atingido pelo automóvel.

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Tomografia mostra pernas de Rodrigo Aparecido de Paula após acidente com carro em São José do Rio Preto (SP)

Rodrigo Aparecido de Paula/Arquivo pessoal

Com o impacto, Rodrigo foi arremessado e quebrou as duas pernas. Segundo apurado pelo g1, o motorista não respeitou a sinalização de parada, avançou o cruzamento, atingiu o motociclista e deixou o local sem prestar socorro.

A placa do carro caiu na via e ajudou a polícia identificar o veículo. No entanto, o motorista prestou depoimento à polícia, responde ao processo em liberdade e não havia sido preso até a última atualização desta reportagem. Um inquérito policial foi instaurado em setembro deste ano.

Rodrigo foi socorrido inconsciente pelos bombeiros e levado ao Hospital de Base (HB), onde precisou ser entubado. Rodrigo diz que lembra de ter acordado somente dois dias após o acidente.

Rodrigo passa maior parte do tempo acamado após acidente em São José do Rio Preto (SP)

Rodrigo Aparecido de Paula/Arquivo pessoal

Desde então, foram quatro cirurgias, sendo duas para colocar os fixadores externos nas pernas e duas para realocação dos ossos do ombro, 16 bolsas de sangue e uma rotina de reabilitação que ainda não tem data para terminar.

Rodrigo recebeu alta hospitalar no dia 4 de fevereiro depois de mais de um mês internado. Ele contou que tem sensibilidade nas pernas, mas os pés permanecem com a posição alterada e voltados para dentro.

“Eu não dobro o joelho, meus pés não se movimentam 100%. É difícil para a gente que tinha uma vida habitual, corrida, trabalhadora, ter que passar por esse transtorno. Deixou minha vida de cabeça para baixo. Minha mãe tinha que me dar comida na boca e isso me deixava muito triste. Me roubaram tudo o que eu tinha, meus movimentos, minha autoestima... Me tiraram a autonomia'", comenta Rodrigo.

Rodrigo tinha vida ativa antes de sofrer acidente em São José do Rio Preto (SP)

Rodrigo Aparecido de Paula/Arquivo pessoal

Apesar das dores, das limitações e da incerteza sobre quando voltará a andar, Rodrigo diz que tenta manter a esperança durante o processo de recuperação. Para ele, continuar vivo após a gravidade do acidente é um motivo para seguir enfrentando os desafios da reabilitação diariamente.

“O importante é que a gente está aqui, sabe? Estou vivo. E cada abertura de olho que a gente tem toda manhã é Deus falando para você assim: ‘Meu filho, eu te dei mais uma chance. Vá, continua’”, afirma Rodrigo.

Rodrigo deslocou o ombro após acidente em São José do Rio Preto (SP)

Rodrigo Aparecido de Paula/Arquivo pessoal

Incertezas sobre voltar a andar

Depois da alta, Rodrigo precisou reorganizar toda a vida. Antes do acidente, trabalhava como ajudante geral e tinha uma rotina ativa. Agora, está afastado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e se mudou para a casa dos pais, em Mirassol (SP), onde recebe ajuda da família.

A mãe, que trabalhava como empregada doméstica, deixou o emprego para cuidar dele. O pai, que atua como piscineiro, participa dos cuidados. Além disso, Rodrigo relatou que faz acompanhamento psicológico semanal e contratou um fisioterapeuta para continuar a reabilitação em casa.

Mesmo com o tratamento, ainda não há previsão de quando ele conseguirá voltar a andar. Rodrigo também relata que poderá ficar com limitações permanentes na perna direita.

“O que vale a vida hoje para as pessoas? O que dói é a impunidade da Justiça. Ele foi buscar a placa do carro na delegacia e saiu pela porta da frente. Se eu não estivesse aqui, o que seria da vida dos meus pais”, lamenta Rodrigo.

Rodrigo faz fisioterapia semanalmente para tentar voltar a andar após acidente em São José do Rio Preto (SP)

Rodrigo Aparecido de Paula/Arquivo pessoal

Mortes na região de Rio Preto

O trânsito no noroeste paulista registrou alta na letalidade entre janeiro e agosto de 2026. Dados do Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Info Siga) apontam que a região contabilizou 189 mortes em 6.242 acidentes, superando as 186 mortes em 5.668 ocorrências do mesmo período de 2025.

Em São José do Rio Preto, a dinâmica foi oposta: o volume de acidentes na cidade caiu de 1.927 para 1.246, mas a gravidade das colisões fez o total de mortes subir de 36 para 41.

O levantamento revela que homens de 18 a 24 anos são as principais vítimas. A motocicleta aparece como o veículo mais envolvido, presente em quatro de cada 10 acidentes na região.

Moto ficou danificada após acidente em São José do Rio Preto (SP)

Rodrigo Aparecido de Paula/Arquivo pessoal

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