Flávio recebe apoio do Republicanos e do Novo para segundo turno
No melhor momento da campanha ao Palácio do Planalto, o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), recebeu na quarta-feira (7) o apoio oficial do Republicanos e do Novo, que se somaram à federação União-Progressista. Também já aderiu à candidatura Ronaldo Caiado, que disputou a Presidência pelo PSD.

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Flávio também se reuniu com parlamentares e governadores eleitos do PL para alinhar a estratégia do segundo turno. A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o mais votado do país, discursaram no evento.
Nos bastidores, a adesão do Republicanos e da federação União-PP ao projeto presidencial do PL implica um acordo de divisão de espaços no ministério de um eventual governo Flávio, e, também pela recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, e pela eleição de Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado.
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O nome do presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), também circula como cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao Valor, entretanto, Pereira rechaçou a possibilidade de ser indicado à Corte. “Não existe isso”, descartou.
Na manifestação aos aliados, Flávio afirmou que seu pai, preso em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado, irá subir a rampa do Planalto do lado dele. Voltou a atribuir a vitória no primeiro turno a um “voto de revolta”, e ironizou que haverá “trânsito de aviões” no dia da posse, caso ele vença a eleição, pela quantidade de autoridades de outros países que virão prestigiá-lo.
Michelle, que não participou de atos presenciais com o enteado durante a campanha, destacou a vitória dela e da deputada Bia Kicis (PL-DF) para o Senado, mas lamentou que a governadora Celina Leão (PP) enfrente um segundo turno na capital federal. Até então, Michelle havia se encontrado publicamente apenas uma vez com Flávio no primeiro turno, na gravação do programa eleitoral.
Por sua vez, Nikolas disse que Michelle tem sido uma “guerreira inacreditável”, e anunciou que ambos trabalharão juntos pela eleição de Flávio. Eles vão representar a candidatura, enquanto o senador do PL estiver em campanha em outro Estado. “Se Flávio estiver no Nordeste, por exemplo, estaremos em outros Estados, e vice-versa”, explicou, dizendo que não estarão todos no mesmo lugar. Ele ainda defendeu foco em Estados nos quais a abstenção e votos em branco foram maiores, como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Já o candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL-AL), agradeceu o apoio de ACM Neto (União), que saiu derrotado na disputa pelo governo da Bahia, e disse que continuará responsável pela campanha no Nordeste.
“Recebemos um apoio muito importante, que foi do ACM Neto e seu grupo político. Isso vai fazer uma diferença muito grande na Bahia. Nós vamos conquistar na Bahia algo em torno de mais 1 milhão de votos. Neto vai entrar com seu grupo de cabeça nessa eleição”, comemorou.
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A cúpula da campanha de Flávio atribui a redução da diferença para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste à atuação do vice, que é de Alagoas. No primeiro turno, ele não teve uma presença muito forte nacionalmente, mas concentrou suas agendas na região.
Conforme o Valor mostrou na terça-feira (6), com as maiores bancadas no Congresso a partir do ano que vem — 28 senadores e 121 deputados —, a posição do PL será decisiva na eleição das novas Mesas Diretoras. Mesmo assim, o partido não elege, sozinho, ou com dissidentes, os presidentes das duas Casas. Além disso, nos últimos anos, as principais legendas têm feito acordos de divisão de poderes, de modo que o mesmo partido não ocupe, simultaneamente, o comando das duas Casas, como já se deu com o MDB no passado.
Dessa forma, nos bastidores, os dirigentes do PL, da federação União-PP e do Republicanos firmaram entendimento pela reeleição de Motta para a Câmara e pela escolha de Marinho para o comando do Senado. No entanto, há resistência interna no PL ao acordo dos caciques.
No fim da solenidade em que o Republicanos chancelou o apoio a Flávio, Pereira reconheceu essa resistência, mas defendeu a prerrogativa de Motta a renovar o mandato na direção da Casa. “Vamos ter que fazer um diálogo, com diálogo se constrói”, ponderou Pereira, lembrando que Flávio já foi filiado ao Republicanos.
Apesar dessa resistência, há uma parcela da bancada do PL que admite o apoio a Motta, ou então, uma composição com outro partido de centro. A avaliação é de que podem respaldar um nome do Republicanos, União ou PP, desde que seja um quadro de direita, com alinhamento ideológico com a agenda de Flávio Bolsonaro.
Pereira argumentou que na presidência da Câmara “é natural, é louvável e é da política que quem está sentado na cadeira tenha direito de disputar outro mandato”. Ele reforçou que o Republicanos estará “incondicionalmente” com Motta para que ele permaneça no cargo mais dois anos. “E vamos buscar aliança com outros partidos”, prosseguiu. Ele ainda negou que possa ser candidato ao comando da Casa no lugar do aliado. “Quero deixar claro que não serei candidato a presidente da Câmara”, enfatizou.
Ainda em sua fala, Pereira minimizou o fato de Motta ter apoiado a reeleição de Lula no primeiro turno, o que gerou incômodo na bancada do PL. “A gente apoia o candidato respeitando as peculiaridades locais. Citei como exemplos Paraíba e Pernambuco”, observou. Os dois Estados votaram contra o apoio ao filho de Bolsonaro.
Além de Pereira, estavam no ato do Republicanos o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o governador eleito de Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo. Tarcísio afirmou que o Republicanos vai ajudar Flávio a governar, caso ele vença o pleito. “O Republicanos está aqui para, além disso, te ajudar a ser um grande presidente da República”, declarou.
Em paralelo, coube ao presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, anunciar o apoio da sigla ao candidato do PL. Ele afirmou que o objetivo do apoio é derrotar o governo do PT. O ex-governador de Minas Romeu Zema, do Novo, foi o primeiro dos candidatos derrotados à Presidência a declarar que estará com Flávio no segundo turno.
Candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro participa de encontro com bancada do PL, em Brasília, em ato que reuniu vice Alfredo Gaspar e a senadora eleita Michelle Bolsonaro
Diego Herculano/Reuters
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