Quem é Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz 2026
Navi Pillay em 2014

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REUTERS/Ruben Sprich/Foto de Arquivo
A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9).
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Ex-chefe dos direitos humanos da ONU, ela foi a primeira mulher não branca na Suprema Corte do seu país passou a vida dentro de tribunais e, ainda hoje, atua como juíza na Corte Internacional de Justiça (CIJ), no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.
Saiba mais sobre Navi Pillay
Navanethem 'Navi' Pillay é a vencedora do Nobel da Paz
Pillay nasceu em 23 de setembro de 1941, em um bairro pobre de Durban. De etnia tâmil, um povo do sul da Índia com uma grande comunidade na África do Sul, ela é filha de um motorista de ônibus. Em 1965, casou-se com o advogado Gaby Pillay.
Conhecida como Navi, a sul-africana começou sua trajetória lutando em seu país contra o apartheid, o sistema de segregação racial que dividia a população por cor de pele e reservava a maior parte dos direitos políticos e civis à minoria branca.
O Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou a luta contra o regime, formado por nomes como Nelson Mandela, a descreve como uma ativista anti-apartheid cuja trajetória se confunde com a história da libertação do país.
Com o fim do sistema, a carreira dela seguiu para fora do país. Pillay foi juíza do Tribunal Penal Internacional e, entre outros casos, presidiu o julgamento que tratou do genocídio ocorrido em Ruanda, na África, em 1994.
Também participou de decisões históricas que ajudaram a estabelecer que estupro e violência sexual podem configurar atos de genocídio e crimes contra a humanidade.
Ela atuou na corte por oito anos, incluindo quatro anos como presidente.
Navi Pillay em 2011, quando era Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos
REUTERS/Valentin Flauraud/Foto de Arquivo
Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a principal autoridade da ONU dedicada a acompanhar violações cometidas por governos no mundo inteiro.
Em setembro do ano passado, na ONU, ela supervisionou a publicação de um relatório da Comissão de Inquérito que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza e que altos funcionários israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos – acusações que Israel considerou escandalosas.
ONU comemora prêmio
Após o anúncio do Nobel, o escritório de direitos humanos das Nações Unidas saudou a notícia da vitória de Navi Pillay, reconhecendo sua longa trajetória de defesa dos direitos humanos.
"É uma notícia incrível, precisamos de mais dedicação e compromisso com os direitos humanos. Esperamos que isso incentive e continue a incentivar e inspirar outras pessoas a se manifestarem em defesa e promoção dos direitos humanos de todas as pessoas ao redor do mundo", disse Shabia Mantoo, porta-voz do departamento, a repórteres em Genebra.
Depois, o próprio chefe dos direitos humanos da ONU se pronunciou. Disse que a conquista de Pillay representa uma vitória coletiva para os direitos humanos e para todos aqueles que buscam justiça e responsabilização:
"O fato de a Comissão do Prêmio Nobel ter decidido conceder o prêmio a Navi Pillay é uma vitória coletiva para os direitos humanos, mas também para a busca por justiça e responsabilização neste mundo. É evidente que precisamos de mecanismos internacionais de responsabilização criminal, incluindo o Tribunal Penal Internacional, e é evidente que temos um sinal muito forte de que isso é absolutamente crucial no mundo de hoje".
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