Canetas emagrecedoras: médico alerta para riscos de usar produtos com base em indicação de influencers digitais
Médico alerta para os riscos de usar caneta emgagrecedora sem acompanhamento médico

Excerpt
As chamadas canetas emagrecedoras se popularizaram nos últimos anos como uma das principais ferramentas no tratamento da obesidade e do diabetes, mas a expansão do mercado também trouxe preocupações sobre automedicação, produtos sem procedência e uso motivado apenas pela busca por um corpo mais magro. Para o médico nutrólogo Fernando Guanabara, o avanço dos medicamentos trouxe resultados importantes para pacientes, mas exige acompanhamento individualizado. O médico foi entrevistado pelo Fique por Dentro, videocast do g1, em sua terceira temporada.
Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp
Segundo Guanabara, a popularização ocorreu principalmente pela evolução dos medicamentos e pelos resultados obtidos pelos pacientes. Ele destaca ainda o papel de artistas, influenciadores e outras pessoas conhecidas na divulgação dos produtos.
“A medicação, ela ficou popularizada justamente pelo resultado. Muitas pessoas utilizando, artistas famosos, e aí falando da medicação, então, eu acredito que foi, foi, a principal causa foi essa, né? O resultado que ela gerou, e pessoas influentes falando e divulgando na internet.”
De medicamentos para diabetes ao tratamento da obesidade
Guanabara explica que a história dessas medicações não começou com a finalidade estética. Os primeiros medicamentos dessa classe foram desenvolvidos para o tratamento do diabetes e, posteriormente, passaram a ser utilizados também no combate à obesidade.
Ele cita a evolução da liraglutida para a semaglutida e, posteriormente, para a tirzepatida. Além de aumentar a praticidade — com medicamentos que passaram de aplicações diárias para semanais —, segundo o médico, os novos tratamentos também apresentaram resultados maiores na redução do peso.
“Nós começamos com a medicação que era chamada de liraglutida (...) ela gerava um resultado de 8 a 10% na redução do peso.”
De acordo com ele, a semaglutida aumentou esse resultado e passou a ser aplicada semanalmente. Depois, a ciência passou a trabalhar com medicamentos que atuam sobre mais de um hormônio relacionado ao metabolismo.
“A semaglutida ela evoluiu para a tirzepatida. E com essa junção de dois peptídeos intestinais, o resultado que era 12, 13, 14%, ele dobrou, ele já foi para 25% de redução.”
A evolução dos medicamentos também trouxe benefícios para pacientes com diabetes, segundo o nutrólogo. Ele afirma que o objetivo do tratamento não deve ser entendido simplesmente como emagrecimento, mas como controle de doenças metabólicas.
“O diabetes é uma doença extremamente, que ela gera várias alterações no nosso metabolismo, é uma doença associada à inflamação, é uma doença que causa outros comprometimentos, insuficiência renal, insuficiência hepática, comprometimento da visão.”
Médico alerta para venda de canetas pela internet
Ao mesmo tempo em que os medicamentos aprovados ganharam espaço, produtos sem registro ou de origem desconhecida também passaram a ser comercializados pela internet.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem realizado operações contra esse mercado. Em abril de 2026, por exemplo, uma operação conjunta com a Polícia Federal identificou insumos suficientes para a produção de mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis e apreendeu mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados irregularmente. Governo Federal
A Anvisa também determinou, em setembro, a proibição da importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso de uma caneta chamada T36, que não tinha registro sanitário no Brasil. A agência reforçou que medicamentos vendidos fora dos canais oficiais não têm garantia de procedência, composição ou conservação. Governo Federal
Para Guanabara, esse é um dos principais riscos associados à popularização das canetas.
“Não usem, não comprem medicações que estão sendo vendidas na internet, porque você não sabe o que é que está ali dentro, se você tiver um problema não tem como a gente rastrear de onde é que vem aquela medicação.”
O médico chama atenção também para as condições de armazenamento. Segundo ele, os medicamentos são produtos biológicos que precisam ser mantidos em determinadas condições de temperatura.
“Eu não sei detalhes de como foi o transporte dessa medicação, são medicações biológicas, então eu preciso de temperaturas, eu preciso obedecer níveis de temperaturas para ela continuar sendo eficiente e eficaz.”
A preocupação com a conservação também é apontada pela Receita Federal. Em agosto deste ano, por exemplo, a instituição informou ter encontrado medicamentos para emagrecimento transportados junto ao corpo e dentro da sola de um tênis. Segundo o órgão, temperaturas inadequadas podem alterar as moléculas dos produtos, reduzir sua eficácia e até permitir contaminação. Governo Federal
Produtos sem procedência podem trazer riscos
Guanabara afirma que já atendeu pacientes que apresentaram problemas após utilizar medicamentos sem procedência.
Entre os efeitos observados no consultório, ele cita náuseas, vômitos e constipação. O médico também relata casos de alterações em exames relacionados ao fígado, rins e pâncreas.
“Então, eu já atendi um paciente que ele passou uma semana com vômito e diarreia, esse paciente ele precisou ser o que? Hospitalizado, porque a medicação que ele utilizou gerou esse efeito adverso nele.”
Ele ressalta, porém, que o problema não está apenas nos efeitos adversos que podem ocorrer com os medicamentos. A falta de informações sobre o produto comprado ilegalmente impede saber exatamente qual substância foi utilizada e em que condições ela foi produzida e armazenada.
A própria Anvisa alerta que produtos irregulares encontrados no mercado podem apresentar problemas de esterilização, controle de qualidade e identificação da origem e composição dos insumos. Governo Federal
Influenciador pode usar, mas isso não significa que medicamento seja indicado para todos
Outro ponto destacado na entrevista é a ideia de que o resultado obtido por uma pessoa não significa que o mesmo tratamento será adequado para outra.
Para o nutrólogo, a indicação, a dose e o acompanhamento devem levar em conta as características de cada paciente.
“Então, assim, a receita de bolo, né? Ah, o meu vizinho usou e deu certo. Não vá nisso, porque se o seu vizinho usou e deu certo, ou sua mãe, ou sua amiga deu certo, você pode utilizar, você pode ter um problema com essa medicação.”
Segundo ele, antes de iniciar o tratamento é necessário avaliar possíveis contraindicações, exames laboratoriais, composição corporal e outros fatores relacionados ao metabolismo.
“O plano de tratamento, ele precisa ser o quê? Personalizado, ele precisa ser individualizado.”
Guanabara também defende que o tratamento seja acompanhado por profissionais de saúde e associado à alimentação adequada e à atividade física. Perda de peso não significa necessariamente perda saudável de gordura
Um dos alertas feitos pelo médico é sobre a possibilidade de o paciente perder massa muscular durante um processo de emagrecimento.
Ele afirma que uma pessoa pode reduzir o peso na balança e, ao mesmo tempo, apresentar perda importante de massa muscular e deficiência de nutrientes caso não tenha acompanhamento adequado.
“Então, eu não estou comendo, eu estou tendo um déficit calórico, mas eu também vou ter um déficit nutricional. Minhas vitaminas vão baixar, meu cabelo vai cair, minha unha vai ficar fraca, minha imunidade vai ficar comprometida e, o mais importante, esse paciente vai perder massa muscular.”
O médico relaciona a perda de massa muscular ao chamado reganho de peso após a interrupção da medicação. “As pessoas estão ficando magras, mas estão perdendo massa muscular.”
E o efeito sanfona?
Segundo Guanabara, outro problema é interromper o medicamento sem que outras mudanças tenham sido incorporadas ao tratamento.
Ele compara a situação ao uso de um antitérmico para controlar a febre sem tratar a infecção que provocou o sintoma.
“Se ele usar só a medicação pro controle de fome e eu não tratar a causa, quando ele parar a medicação, ele vai ter reganho de peso.”
O médico afirma que o período de utilização também precisa ser definido individualmente. Ele cita situações em que o paciente pode precisar continuar usando a medicação por meses ou até mais tempo, enquanto o acompanhamento avalia se o peso e a composição corporal conseguem ser mantidos sem o medicamento.
“É algo que é 100% hoje o quê? O tratamento, o acompanhamento, é 100% personalizado, é individualizado.”
Quem deve usar as canetas?
Para Guanabara, as medicações devem ser utilizadas principalmente dentro de um tratamento para obesidade ou outras condições para as quais exista indicação médica.
Ele cita o índice de massa corporal (IMC), o percentual de gordura e a circunferência abdominal entre os indicadores que podem ser considerados na avaliação.
Por isso, o médico faz uma distinção entre uma pessoa que precisa de tratamento para obesidade e alguém que deseja simplesmente perder alguns quilos por uma questão estética. “A indicação é pro paciente que ele tenha obesidade.” Ele ressalta que a avaliação não deve ser feita apenas pela balança.
E quem já comprou uma caneta contrabandeada?
Para quem já adquiriu uma caneta de procedência desconhecida, a recomendação do médico é não utilizá-la.
“É assim, é um risco muito grande, como eu falei, a gente não sabe o que tem ali dentro.”
A Anvisa também orienta que produtos sem registro e de origem desconhecida não sejam utilizados. Em abril, a agência proibiu produtos divulgados na internet como medicamentos injetáveis de GLP-1 justamente por não terem registro, notificação ou cadastro no Brasil. Governo Federal
Para Guanabara, o dinheiro gasto na compra de um produto irregular não deve ser motivo para colocar a saúde em risco.
“A minha dica, a minha sugestão é assim, é melhor você perder aquilo ali que você comprou, né, mas você fazer o tratamento correto, porque o ganho que você vai ter vai ser muito superior a você estar usando a medicação que você não sabe de onde ela vem ou o que tem ali dentro.”
'O barato pode sair muito caro'
Ao encerrar a entrevista, o nutrólogo reforçou que as canetas podem representar um avanço importante no tratamento de doenças metabólicas, mas não devem ser encaradas como uma solução rápida para emagrecer.
“Se você tem a doença obesidade, se você tem a doença diabetes, então hoje a ciência, hoje a medicina já consegue a remissão dessas doenças, porém, o tratamento precisa ser correto, personalizado.”
Para ele, medicamentos, alimentação, atividade física e mudança no estilo de vida devem fazer parte de uma estratégia de tratamento acompanhada por profissionais.
“E assim, eu entendo que é tentador a gente comprar uma medicação de um custo menor, mas isso, como eu falei, esse barato pode sair muito caro e pode até causar mesmo o risco aí de morte e muitas outras complicações.”
Canetas emagrecedoras podem criar um novo tipo de dieta ioiô
Adobe Stock
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Story published by G1. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.
Read next

Veja o que se sabe sobre o caso da médica suspeita de orientar a não dar alta a pacientes 'petistas' no dia da eleição, em Goiás

IGP-RS cria núcleo de perícia em feminicídio com foco em contexto e histórico da vítima

Câncer de mama: primeiro sintoma é o aparecimento de um nódulo fixo

Feliz mês das crianças com leitura maravilhosa
Newsletter
The world does not fit in your feed. The right summary fits in your morning.
Get the Newra Daily by email: the day’s article, written from the main stories, in a single read.