Resultado das urnas será decisivo no avanço da disputa à presidência do Senado
O primeiro turno das eleições, que ocorre neste domingo (4), será decisivo para que caciques do Senado definam os próximos passos de suas possíveis candidaturas à presidência da Casa em fevereiro de 2027.

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Senadores que se colocam como eventuais postulantes a esse pleito interno irão prestar atenção tanto no placar da eleição de senadores como no resultado da disputa à Presidência da República.
Neste momento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve tentar se reeleger para o posto que hoje ocupa com o apoio da atual base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do outro lado, o líder da oposição na Casa, Rogério Marinho (PL-RN), e a líder do PP, Tereza Cristina (MS), já expressaram a interlocutores a intenção de concorrerem ao comando do Congresso
A aposta de Marinho e de Tereza é de que a direita – e, em especial, a extrema direita – aumente as suas bancadas no Senado diante de um fortalecimento das candidaturas de postulantes que têm o impeachment de ministros do STF como bandeira.
A eleição ao Senado deste ano tem duas vagas e, as pesquisas divulgadas no sábado, mostra um amplo favoritismo dos nomes ligadas ao campo da direita. No total, estão em disputa 54 das 81 cadeiras.
Embora busquem ocupar o mesmo cargo, Tereza tem apoiado a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto ao lado de Marinho, que coordena a campanha. Além de Marinho, Tereza foi a única outra parlamentar convidada pelo presidenciável para acompanhá-lo no debate da TV Globo, que aconteceria na quinta-feira (1).
Em conversas sobre possíveis ministros de um eventual governo de Flávio, Tereza aparece como cotada tanto para o ministério da Agricultura quanto para o das Relações Exteriores. Ela já ocupou a pasta da Agricultura na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022, pai do candidato do PL.
A pessoas próximas, a ex-ministra diz que nunca recebeu um convite nesse sentido e que o objetivo dela, por enquanto, é seguir no Senado para viabilizar uma futura candidatura à presidência da Casa. Ela relata a esses interlocutores que o único convite que recebeu de Flávio foi para compor a chapa dele como vice, o que acabou inviabilizado diante da decisão do seu partido, o PP, de não fechar uma aliança com o bolsonarista.
Marinho, por sua vez, terá que calcular, após o fechamento das urnas no domingo, se o PL tem o número suficiente de senadores para tornar a candidatura dele ao comando do Congresso competitiva ou se ele precisará de parlamentares do Centrão para tornar a sua eleição possível.
Hoje, a tendência é que, se houver segundo turno, integrantes da federação União Progressista apoiem Flávio. Há quem diga, porém, que esse apoio teria um preço: que o PL retribua o gesto e endosse a recondução de Alcolumbre em 2027 - o atual presidente do Senado é um dos caciques do União Brasil.
Paralelamente, Alcolumbre também está de olho no resultado da eleição presidencial para definir os seus próximos passos. Na sexta-feira (2), ele pautou no plenário a realização de três sessões de discussão da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1, uma das bandeiras de Lula.
No entanto, se não houver a aprovação de um requerimento para o encurtamento desse rito de tramitação da PEC, o regimento interno do Senado inviabiliza a aprovação da matéria antes do segundo turno das eleições. Uma emenda à Constituição precisa ser aprovada em duas rodadas de votação antes de ir à promulgação.
Se Lula obtiver vantagem neste primeiro turno contra Flávio, senadores veem como possível que Alcolumbre busque maneiras de acelerar o debate desta proposta como uma forma de dar ainda mais fôlego ao petista antes do último turno. Se o candidato do PL ficar à frente, contudo, esses parlamentares acreditam que o amapaense deixará a conclusão dessa deliberação para depois do fim do pleito presidencial.
Em nota divulgada na sexta por sua assessoria, Alcolumbre declarou que o texto da PEC do fim da 6x1 "será debatido com responsabilidade, equilíbrio e respeito às diferentes perspectivas envolvidas". "O Senado reafirma seu compromisso com o diálogo e com a construção de soluções que considerem os trabalhadores, o setor produtivo e o desenvolvimento econômico e social do país", apontou o senador.
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