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‘Não tem nenhuma decisão sobre pessoas que eu tome sem usar dados’

A trajetória profissional de Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente, de soluções para a gestão de pessoas, é marcada por tomadas de decisão que se equilibram entre o planejamento e a ousadia.

Valor Econômico6 min read
‘Não tem nenhuma decisão sobre pessoas que eu tome sem usar dados’

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Quando ainda estava no primeiro ano da faculdade de sistemas de informação, em 2001, fundou a eGuru, empresa de tecnologia para educação corporativa. Formou equipes, criou novos produtos no segmento e conseguiu grandes contratos. Quinze anos depois, em 2016, decidiu vender o negócio para a LG, no mercado de recursos humanos desde 1985.

Na nova casa, atuou como diretor de gestão de capital humano e vice-presidente antes de ocupar a cadeira de CEO, em 2021. Agora, o desafio é transformar a corporação de mil empregados em uma plataforma “AI first” (“inteligência artificial em primeiro lugar”, da expressão em inglês), capaz de levar recursos de automação inteligente para a jornada completa dos funcionários das empresas, da seleção ao desligamento.

“A LG sempre foi um provedor de tecnologia, entregando uma ferramenta que hoje tem 30 módulos para o cliente operar”, explica ele para Stela Campos, editora de Carreira do Valor, e Thiago Barbosa, gerente de produtos digitais da CBN, no podcast “CBN Professional”. “Agora, existe a oportunidade de entregar uma camada acima disso, que não é somente vender o software, mas oferecer a operação de sistemas de forma agêntica [com IA].”

Na prática, a intenção da LG, que atende mais de 2,5 mil empresas e impacta seis milhões de trabalhadores com soluções de folha de pagamento e gestão de pessoas, é alavancar os índices de produtividade da carteira. Tenho um cliente com 36 pessoas na equipe que agora consegue rodar o processamento da folha com apenas seis, na metade do tempo anterior, detalha o gestor.

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“Trata-se de um trabalho de conferência, com registro de ponto feito de forma amostral. Imagina quanto dinheiro uma organização com 50 mil funcionários ‘deixa na mesa’ porque não consegue conferir tudo, a tempo?”, questiona. “Acredito que R$ 20 milhões ao ano, perdidos por ineficiência.”

A visão de futuro que Azevedo cultiva não nasceu agora. Na época em que liderava a eGuru, desenvolveu um sistema de gerenciamento de atividades on-line e presenciais para universidades corporativas. “Tínhamos mais de 100 clientes, com 400 mil usuários”, lembra. Foi nessa fase, à frente de uma empresa bem-sucedida, que a vontade de ousar falou mais alto.

Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente, acredita que um resultado extraordinário só existe quando se toma algum risco

Rogério Vieira/Valor

“Não havia a necessidade de vender a companhia”, anota. “Mas existia a chance de mudar de ‘liga’. Naquele momento, a minha empresa faturava R$ 15 milhões e a LG, R$ 70 milhões. Eu poderia fazer parte de um grupo maior, com mais aprendizado, viver o desafio de me desenvolver mais e ainda gerar novas oportunidades para o meu time.”

Em 2026, o executivo completou dez anos de LG. Quando assumiu o leme da operação, em 2021, a marca faturava R$ 129 milhões. “Este ano, vamos superar os R$ 500 milhões”, garante. “O que foi construído como um pilar pelos fundadores da empresa, que é o foco na satisfação do cliente com inovação, foi um facilitador para a aceleração do negócio.”

Se vou promover alguém, tenho registros da performance, do engajamento e da remuneração ‘versus’ o que o mercado paga”

A mudança de patamar - do comando de um empreendimento menor para uma operação em rápido crescimento - não o assustou. “Levei algum tempo para entender essa complexidade e que o nível de tomada de risco [na nova companhia] deveria ser diferente”, pondera. Na eGuru, do mundo da educação corporativa, não havia problema em desenvolver uma aplicação e testá-la em uma grande empresa, pois o impacto do resultado seria reduzido, compara. “Mas construir uma nova solução, vinculada à folha de pagamento [um dos carros-chefes da LG], envolve o processamento de mais de R$ 100 bilhões ao ano. Esse tipo de coisa não pode falhar.”

Mesmo assim, procuro continuar sendo ousado, diz. “Para buscar um resultado extraordinário e fazer a companhia crescer, é preciso tomar um nível de risco ‘x’”, justifica. “Tem que se comprometer. Gosto de estar na frente do cliente no momento da venda e ver se as promessas que foram feitas antes estão, de fato, entregues. É o mesmo que cobro do time.”

À frente de uma corporação que cuida da área de RH de outras firmas, o cuidado com o capital humano do próprio negócio é prioridade para o CEO. “Não tem nenhuma decisão [sobre pessoas] que eu tome sem usar dados”, diz. “Se vou promover alguém, tenho registros da performance, do engajamento e do valor da remuneração ‘versus’ o que o mercado paga.”

Porém, nem tudo relacionado à mão de obra pode se limitar a métricas, pondera. “Gosto de usar ferramentas de gestão como apoio à tomada de decisão e não para que me ‘digam’ quem promover ou contratar”, ensina. Mesmo diante de um processo de seleção com dez candidatos aderentes a uma posição, isso não significa que vamos admitir logo o número um da lista, exemplifica. “Pode ser que contrate o décimo porque há outros fatores que a tecnologia não conseguiu capturar ou que não eram o alvo do mapeamento, naquela ocasião.”

Azevedo acredita que outro ingrediente que o ajudou a tracionar os resultados da LG nos últimos anos foi montar um time de gestão especializado. “Pessoas qualificadas vão te gerar muito mais dinheiro”, orienta ele, que diz que realiza, pelo menos, três entrevistas por semana, independentemente das vagas em aberto. “Comecei a perceber isso quando entendi o que era trabalhar com um profissional de alta performance. Se tenho um deles aqui, quero ter mais dez. Sei a diferença que faz.”

No episódio completo do podcast, disponível no site da CBN, nos streamings Spotify e Apple Podcasts e nos canais do YouTube do Valor e da CBN, o executivo também conta como costuma mapear novos gestores para a companhia e qual o alcance da IA na redução da força de trabalho das empresas.

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