Skip to content
Newra News
Economy

Três anos depois, massacre do 7 de Outubro põe Netanyahu à prova em eleição de Israel

Amir Zini compartilha a história de seu filho, Nirel Zini, e da companheira de Nirel, Niv Raviv, mortos pelo Hamas

Valor Econômico5 min read
Três anos depois, massacre do 7 de Outubro põe Netanyahu à prova em eleição de Israel

Excerpt

Oded Balilty/AP

Primeiro, veio o choque. Nos dias seguintes, as perguntas sobre como um país conhecido por seu poder militar e de inteligência não conseguiu impedir o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. À medida que a guerra em Gaza se prolongava, as cobranças ganharam corpo, com o drama dos reféns e as acusações de que o premiê Benjamin Netanyahu prolongava o conflito, que se expandiu para o Líbano e o Irã, além de intensificar as tensões na Cisjordânia.

Hoje, quando o ataque terrorista que deixou 1.200 israelenses mortos e resultou em 251 reféns completa três anos, essas questões voltam ao centro do debate. Agora, a apenas 20 dias de eleição que decidirá o futuro político de Netanyahu - que buscará um sétimo mandato - e o rumo do país.

“Ainda há um forte desejo dos israelenses de uma investigação adequada sobre o que ocorreu e o que levou ao 7 de Outubro, sobre as falhas que permitiram que o Hamas atacasse e tivesse sucesso”, diz Yaakov Katz, pesquisador do Jewish People Policy Institute (JPPI) e autor do livro “While Israel Slept”.

Para Amotz Asa-El, pesquisador do Shalom Hartman Institute, em Jerusalém, e autor do best-seller “The Jewish March of Folly”, a relação dos israelenses com seus vizinhos se tornou profundamente pessimista e marcada pela desconfiança após o 7 de Outubro, acompanhada de uma “grande desilusão em relação às perspectivas de paz”. No plano interno, diz, aumentou também o desgaste do governo de Netanyahu.

“Uma clara maioria dos israelenses considera que o sucesso do ataque do Hamas no 7 de Outubro foi culpa deste governo, em geral, e de Netanyahu em particular”, afirma.

A leitura de Asa-El é de que os ataques do Hamas atingiram um dos pilares da longevidade política de Netanyahu: a imagem de líder capaz de garantir a segurança de Israel. “Acho que destruiu sua imagem de ‘Sr. Segurança’, que ele trabalhou muito para construir.”

O desgaste ganhou um novo capítulo após o jornal israelense Haaretz revelar no início de setembro que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, teria alertado Netanyahu, cerca de dez dias antes do ataque, de que o Hamas preparava uma grande ação. Netanyahu nega.

Katz diz que apesar de as revelações serem “perturbadoras e preocupantes”, estão em um contexto mais amplo de sinais ignorados antes do ataque. “Israel estava em um estado de complacência e tinha um sistema de crenças segundo o qual o Hamas não estava interessado em guerra”, afirma.

O analista afirma que a forma como Netanyahu lidou com o Hamas depois do ataque ajudou o premiê a reconstruir em parte sua imagem de garantidor de segurança. “Ele identificou que, no longo prazo, os israelenses não o julgarão apenas com base no 7 de Outubro, mas também com base no que ocorreu depois.”

Dahlia Scheindlin, especialista em opinião pública e colunista do Haaretz, afirma que, nos primeiros seis meses após o ataque, Netanyahu, seu partido e sua coalizão perderam cerca de um terço do apoio que haviam recebido nas eleições de 2022, mas destaca que o movimento durou pouco tempo.

“Depois, eles se recuperaram, não até o nível em que estavam em 2022, mas para um patamar um pouco inferior àquele em que se encontravam antes do ataque”, diz. De acordo com Scheindlin, o apoio a Netanyahu e seu governo acabou encontrando um teto perto de 40% a 42%.

O desgaste de Netanyahu não se traduz, porém, em um deslocamento de Israel para a esquerda. Pesquisa do JPPI de junho mostrou que 66% dos judeus israelenses se identificavam com a direita. Embora Scheindlin considere que essa parcela tenha mudado pouco em relação ao período anterior ao 7 de Outubro, ela destaca uma transformação ainda mais significativa dentro dos próprios campos políticos: o endurecimento das posições.

“A maior diferença é que os centristas passaram a adotar posições mais duras em relação aos palestinos e à segurança, enquanto as pessoas de direita passaram a adotar posições muito extremas”, diz.

É nesse contexto que Israel chega à eleição de 27 de outubro, a primeira nacional desde o 7 de Outubro. Netanyahu tem como principal adversário no campo centrista o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, líder do Yashar. Um agregador de pesquisas da Reuters atualizado em 30 de setembro mostrou que apenas uma cadeira separa o partido de Eisenkot do Likud, de Netanyahu, nas projeções para a Knesset, o Parlamento israelense.

Para Scheindlin, o cenário ajuda a desfazer o aparente paradoxo entre uma sociedade majoritariamente à direita e a possibilidade de derrota de Netanyahu. “Nem todas as pessoas de direita apoiam Netanyahu. Netanyahu transformou-se em um fator que divide a direita”, afirma.

Se o pleito israelense pode redefinir o futuro político de Netanyahu, seu impacto é visto de maneira distinta do outro lado do conflito. Jonathan Kuttab, advogado palestino de direitos humanos, diz que o resultado das urnas pouco deve alterar, por si só, a realidade enfrentada hoje pelos palestinos.

“Neste momento, francamente, os palestinos estão em modo de sobrevivência”, afirma. Segundo ele, após três anos de guerra, as preocupações imediatas em Gaza se concentram em questões mais básicas, como acesso a água potável, alimentos e abrigo. “A necessidade imediata de sobreviver é maior do que as discussões políticas sobre o futuro.”

Read at source

Story published by Valor Econômico. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.

Read next

Newsletter

The world does not fit in your feed. The right summary fits in your morning.

Get the Newra Daily by email: the day’s article, written from the main stories, in a single read.

One email a day. Unsubscribe whenever you want, in one click.