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Quem é Douglas Ruas, o próximo governador do Rio

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro confirmou, neste sábado (10), maioria de votos válidos para Douglas Ruas (PL), nas eleições para governador do Estado fluminense.

Valor Econômico7 min read
Quem é Douglas Ruas, o próximo governador do Rio

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Assim, o político torna-se vitorioso no primeiro turno, com mais da metade do total dos votos válidos, fatia de 50,88%, somando 4,271,199 milhões. Ele derrotou o ex-prefeito da capital fluminense Eduardo Paes (PSD).

Quem é Douglas Ruas?

Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), Douglas Ruas era desconhecido pelo eleitor fluminense. Em levantamento da Quaest de 25 agosto, já com duas semanas de campanha na rua, 59% dos entrevistados afirmavam ainda não conhecer o candidato do PL.

Ruas é deputado estadual de primeiro mandato. Ele assumiu o comando da Alerj, em março, quando o ex-presidente Rodrigo Bacellar (PL) foi cassado e condenado junto com o ex-governador Cláudio Castro (PL) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Ruas também é aliado próximo do deputado federal Altineu Côrtes (PL), vice-presidente da Câmara dos Deputados. O futuro governador tem 37 anos e é formado em direito, pós-graduado em gestão pública e servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

Qual seu histórico na política?

Ruas é herdeiro político do pai, Capitão Nelson, um dos nomes mais fortes em São Gonçalo, segunda maior cidade do Estado do Rio de Janeiro. Com a influência do pai, então vereador, iniciou sua trajetória em 2017 como subsecretário de Trabalho de São Gonçalo.

De 2019 a 2020, atuou como superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Já em 2021, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, a segunda maior votação naquele ano.

Em 2021, assumiu a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais na prefeitura de São Gonçalo, comandada pelo pai. A nomeação gerou acusações de nepotismo.

Em 2023, Ruas alçou voos mais altos e assumiu a secretaria Estadual das Cidades do governo de Cláudio Castro (PL), onde permaneceu até março de 2026.

Além do pai que ocupa a prefeitura de São Gonçalo, o irmão, Nelsinho Ruas, foi eleito deputado estadual pelo PL neste pleito, consolidando a ascensão do poder do clã familiar na política fluminense.

Como se tornou candidato do PL?

Ruas não era a primeira opção do PL para a candidatura ao governo do Rio. Seu nome apareceu como plano B do partido, que teve dificuldades para montar sua chapa no Rio por conta de problemas dos candidatos com a Justiça.

Ele foi alçado ao posto após Rodrigo Bacellar, que era o escolhido para a sucessão de Castro, ser cassado e tornar-se inelegível. Tanto Bacellar quanto Castro, que seria candidato ao Senado, foram condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Além disso, se tornaram alvos de investigações da Polícia Federal (PF). Castro é investigado nos escândalos dos casos Master e Refit. Já Bacellar está preso por supostos elos com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Com o cargo de governador vago, Ruas, como novo presidente da Alerj, esperava assumir o Palácio Guanabara para se tornar mais conhecido e usar a influência da máquina pública para impulsionar sua candidatura. Porém, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) mantiveram o desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto, no cargo, como governador em exercício do Rio.

Há investigações contra Ruas?

Douglas Ruas é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por suspeita de enriquecimento ilícito de empresas associadas a ele. O processo, revelado pelo jornal O Globo, corre sob sigilo no Tribunal de Justiça do Estado (TJRJ).

Os promotores apuram uma evolução patrimonial repentina das empresas Saur Construção, Terraplanagem e Locação e DM Invest Consultoria e Participações, das quais o MP confirma a participação societária do parlamentar. A suspeita é que o crescimento financeiro dos negócios tenha coincidido com a ascensão política de Ruas e de seu pai, Capitão Nelson, atual prefeito de São Gonçalo.

A apuração abrange possíveis crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Além disso, integra o inquérito uma auditoria da própria gestão estadual sobre a época em que Douglas Ruas chefiou a Secretaria das Cidades no governo Cláudio Castro. A avaliação interna identificou contratos de R$ 702 milhões firmados com consórcios liderados pela construtora FP Vieira Engenharia, conforme o jornal O Globo.

Em um deles, a empresa subcontratou a Mineração Santa Edwiges, da família do deputado federal Altineu Côrtes, presidente do PL no Rio. Segundo o Ministério Público, há indícios de ligações entre as famílias de Douglas Ruas e de Altineu Côrtes.

Ruas nega irregularidades em sua atuação na secretaria de Cidade. Além disso, ele vem defendendo publicamente que todas investigações sobre esse caso avancem.

Outra controvérsia envolvendo o político do PL foi sua nomeação como secretário na prefeitura do pai. O caso gerou denúncias de nepotismo e pedidos de investigação no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A prefeitura de Capitão Nelson negou a acusação de nepotismo, afirmando que Ruas teria as qualificações necessárias para o cargo por ter formação em gestão pública.

Como foi sua campanha e quais suas propostas?

Desconhecido inicialmente do eleitorado fluminense, Ruas cresceu de forma constante ao longo da campanha e surpreendeu com uma arrancada no desfecho da eleição do 1º turno, bem acima do que previam as pesquisas. O que as pesquisas capturaram foi a redução gradual da distância entre Paes e Ruas.

Paes liderou com folga todos os cenários nas pesquisas ao longo da campanha. Porém, com a abertura das urnas, Ruas terminou com 49,27% dos votos válidos contra 42,76% do candidato do PSD. Na pesquisa Quaest divulgada na véspera das eleições, o cenário era praticamente o inverso: 49% das intenções de voto eram para o Paes, e 40% para o presidente da Alerj.

Ruas apostou em nacionalizar a campanha e colou sua imagem em Flávio Bolsonaro (PL), de olho na força do bolsonarismo no Rio de Janeiro. A estratégia se mostrou acertada com a ampla margem do candidato à Presidência do PL no Estado, que venceu com 53,01% a 39,41% o presidente Lula (PT).

Ao longo da campanha, Ruas buscou se desvincular de Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, seus ex-aliados que se tornaram alvos da Justiça. A associação com esse grupo político foi a principal estratégia de campanha do rival, Eduardo Paes (PSD), para desconstruir a imagem do adversário e aumentar sua rejeição.

Quando confrontado com essas relações, Ruas se esquivava afirmando que nunca teve uma relação de intimidade, mas só de trabalho com o ex-governador Castro.

Entre suas propostas, a pauta da segurança pública é apresentada como prioridade. Ruas promete investir na retomada de territórios dominados por facções criminosas e milícias e criar o programa Escudo Fluminense. O projeto usaria tecnologias como reconhecimento facial, leitura de placas, drones, scanners de carga, para combater a criminalidade.

Em relação às contas públicas, tema sensível em meio à crise fiscal do Rio, ele é crítico da adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Ruas diz que vai manter os termos do acordo assinado pelo governador em exercício, Ricardo Couto. Porém, segundo ele, Lula vetou dispositivos que “permitiriam, de fato”, alívio nas contas públicas.

Para Ruas, é preciso pensar em ajuste das contas do Estado com olhar para as despesas e não só para as receitas. Ruas propõe a criação de um regime Estadual de teto de gastos para limitar as despesas ao crescimento das receitas, nos moldes da União.

Entre outras propostas de Ruas, está também o programa “Rio na Pista”, que inclui a concessão de incentivos fiscais para aquisição de motos por pessoas que usam o veículo para trabalhar, como entregadores de aplicativos.

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