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Flávio busca aliados do Centrão e reforço de Tarcísio

Campanha irá buscar todos os candidatos derrotados no primeiro turno para negociar apoio a Flávio

Valor Econômico5 min read
Flávio busca aliados do Centrão e reforço de Tarcísio

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Eduardo Anizelli/Folhapress - 4/10/2026

Um dia após obter a dianteira nas urnas, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente também nas articulações para a disputa do segundo turno e buscou antigos aliados, lideranças do Centrão e adversários derrotados no primeiro turno. Na segunda-feira (5), o senador teve uma reunião com Tarcísio de Freitas (Republicanos) para alinhar a estratégia de apoio do governador de São Paulo à candidatura. Nesta terça-feira (6), Flávio vai se encontrar com Ronaldo Caiado (PSD), derrotado no pleito, para selar uma aliança. Também estão em curso conversas com nomes da federação União-PP.

O encontro com Tarcísio, reeleito no primeiro turno, aconteceu na noite de segunda a portas fechadas e contou com a participação, além de Flávio, do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN). O objetivo é definir como será a atuação do governador no apoio ao candidato neste segundo turno. Mais cedo, o político do Republicanos prometeu “empenho total” na candidatura do presidenciável.

Segundo Marinho, a campanha do PL irá buscar todos os candidatos derrotados no primeiro turno para negociar um apoio a Flávio - inclusive Augusto Cury (Avante), que já definiu que não endossará nenhum dos postulantes remanescentes. Segundo o senador, a campanha de Flávio nesta segunda rodada terá início oficial na sexta-feira (8), uma vez que esses primeiros dias serão utilizados para a definição de alianças e estratégias.

“A campanha para nós vai começar na sexta-feira. Esse período que antecede o início da campanha vai ser justamente utilizado para isso, para conversar com os nossos aliados e com aqueles que estão vindo e todos são bem-vindos. São aqueles que acreditam que é importante derrotar o PT”, disse o senador a jornalistas.

O coordenador deve ter uma reunião com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), para tratar do apoio do partido à candidatura do PL. Embora haja empenho de Tarcísio para que haja uma aliança com Flávio, parlamentares admitem que a sigla deve manter a neutralidade por conta da posição do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), e de outros políticos que declararam apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.

“Se a gente optar pelo Flávio, como o Motta vai ficar? Como a família dele vai pedir voto para Lula? Então, eu creio que o partido vai respeitar isso e manter a neutralidade. É uma questão de direito à liberdade de expressão. Meu partido é muito centrado, não vai impor isso”, afirmou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que é aliada de Flávio. Ela aponta, contudo, que a maioria dos membros da sigla deve, individualmente, apoiar a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio também deve conversar com integrantes da federação União Progressista na quarta-feira (7) para saber o posicionamento do grupo. Os partidos, de maneira individual, devem reunir suas bancadas nesta terça para discutir o tema.

Deputados e senadores das legendas reconhecem que, neste momento, a tendência é que o endosso a Flávio se concretize. A principal razão para esta mudança de posição em relação ao primeiro turno é o fim das disputas nos Estados a cargos do Executivo e do Legislativo. O principal articulador da neutralidade foi o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), que não conseguiu se reeleger ao Senado.

Parlamentares do Republicanos dizem que a sigla deve manter neutralidade

Nesse mesmo esforço para obter apoio de outros partidos, o senador se encontrará com Caiado em um evento em Goiânia, nesta terça. O ex-governador de Goiás deve, na ocasião, anunciar oficialmente o apoio a Flávio, mesmo depois de ter feito muitas críticas ao adversário durante o primeiro turno.

Outro ex-presidenciável que também já divulgou apoio ao candidato do PL foi Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais. Em vídeo nas redes sociais, ele fez críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que, por conta dessa atuação dos magistrados, não poderia ficar “em cima do muro” no pleito. “Eu não vou me omitir nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT. Voto no Flávio Bolsonaro”, declarou o mineiro.

Próximo de Alexandre de Moraes, o ex-presidente Michel Temer (MDB) também declarou apoio ao candidato do PL nesta terça. “O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito. Quem entendeu isso foi reeleito, deu-se a renovação”, disse Temer. “A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio.”

Temer foi próximo em alguns momentos de Bolsonaro, sendo uma espécie de conselheiro informal do ex-presidente. Foi o emedebista, por exemplo, que foi acionado por Bolsonaro para ajudar a conter a crise deflagrada pelo 7 de setembro de 2021, quando o então presidente chamou Moraes de “canalha” na Avenida Paulista.

Para o segundo turno, a campanha de Flávio deve focar em uma agenda propositiva. De acordo com Marinho, o objetivo é comparar os dois modelos de administração. Nessa estratégia, Flávio, inclusive, deve aceitar participar de debates com Lula.

“O Flávio está muito preocupado em fazer que essa campanha seja uma campanha de três semanas remanescentes propositivas. Nós estamos avaliando os pedidos que foram feitos de debates. O Flávio quer debater com o presidente Lula. Ele deve apenas estabelecer quais os embates que serão feitos, já que há quatro ou cinco convites diferentes”, declarou o coordenador.

Para o senador, o clima interno da campanha é de muito otimismo, mas será importante garantir apoios para além do bolsonarismo. O papel de governadores e quadros já eleitos para o Congresso também será decisivo a nível regional, já que eles servirão de palanques para Flávio e poderão puxar votos em seus Estados. O PL elegeu 19 senadores, além de 11 governadores aliados, sendo cinco do partido.

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