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PT projeta eleger 80 deputados e campanha já começa a traçar estratégia para segundo turno

A campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a traçar nesta sexta-feira (2) a estratégia para um eventual segundo turno na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Valor Econômico6 min read
PT projeta eleger 80 deputados e campanha já começa a traçar estratégia para segundo turno

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O comando da campanha petista se reunirá nesta tarde em um hotel, em São Paulo, e deve repassar as definições sobre alianças e acordos políticos com Lula, à noite.

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O presidente deve chegar à capital paulista no fim do dia, depois de uma maratona de eventos no Rio de Janeiro e Minas Gerais. No sábado (3), Lula participa de uma caminhada em São Paulo para encerrar sua campanha no primeiro turno. No domingo (4), votará pela manhã em São Bernardo do Campo e à noite deve fazer um pronunciamento à imprensa em um hotel da capital paulista, após a divulgação do resultado.

O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, não descarta a possibilidade de a disputa presidencial ser encerrada no 1º turno, caso haja uma forte mobilização pelo voto útil e uma votação expressiva dos eleitores que hoje se dizem indecisos. “Toda eleição polarizada pode ser resolvida no primeiro turno”, afirmou Edinho, ao conceder uma entrevista nesta sexta-feira, na capital paulista.

A campanha petista, no entanto, projeta um possível segundo turno e deve intensificar a busca por acordos políticos, sobretudo com o PSD e MDB.

Questionado sobre uma possível desmobilização da militância no segundo turno em Estados como São Paulo, Ceará e Pernambuco, que devem ter a disputa estadual resolvida no primeiro turno, Edinho disse que o PT construiu palanques em todo o país.

“Estamos muito preparados para o segundo turno, se ele acontecer. Estamos preparados pelos palanques que construímos, pelas alianças que construímos. Temos que ampliar ainda mais”, disse Edinho. “Temos palanque organizado em todos os Estados. Numa disputa de segundo turno, essa construção nos favorece. Mesmo nos Estados que resolverão [a disputa] no primeiro turno a mobilização política não deixará de existir”, afirmou.

O coordenador da campanha afirmou que é preciso ampliar a aliança de Lula em um eventual segundo turno e incorporar as propostas desses aliados.

Expectativa para o Legislativo

O presidente do PT afirmou ter a expectativa de que o partido eleja 80 deputados federais, mais do que os 68 parlamentares petistas eleitos em 2022. Com a federação PCdoB e PV, a bancada poderá “chegar a ter um crescimento de 20 parlamentares”.

Para o Senado, Edinho evitou falar em quantos o partido e aliados poderão eleger.

Governos estaduais

Edinho afirmou ainda que o PT tem a expectativa de vitória na disputa estadual no primeiro turno na Bahia, Ceará e Piauí, com candidatos do partido, e no Rio de Janeiro, com o aliado Eduardo Paes (PSD). O dirigente avaliou que o partido tem condições de disputar o segundo turno no Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, e de participar das disputas junto a aliados no Pará, Amazonas, no Rio Grande do Sul e no Paraná.

“Vamos ter uma estrutura muito forte de campanha no segundo turno com aliados e com estruturas já montadas no primeiro turno. Estou muito confiante, temos estrutura de campanha e Lula saiu muito na frente em relação ao adversário”, disse.

Sentimento de mudança

Ao avaliar o cenário acirrado enfrentado por Lula, Edinho disse que o principal adversário do presidente nesta eleição é o sentimento de mudança defendido pela população. Na avaliação do dirigente petista, o desempenho de Flávio, que está empatado com Lula no segundo turno, se deve ao fato de o candidato do PL “catalisar” esse sentimento.

“Não estamos disputando contra Flávio, estamos disputando contra o sentimento de mudança”, afirmou Edinho, ao falar com a imprensa, em um hotel em São Paulo. Edinho negou que o PT e a campanha de Lula tenham “menosprezado” o potencial eleitoral de Flávio. “Estamos disputando contra o sentimento de mudança. Flávio catalisa esse sentimento”, disse.

Na avaliação do presidente do PT, a campanha de Lula disputa cerca de 30% do eleitorado com Flávio. O restante dos eleitores, disse, está já está dividido e cristalizado entre Lula e Flávio.

Edinho reconheceu que parte da população não está satisfeita com o governo Lula, sobretudo com a perda do poder de compra, e que deseja mudanças. O petista afirmou ainda que o sentimento “antissistema” é forte nesta eleição.

“Mas sabemos que não será que Flávio Bolsonaro promoverá mudanças no país. No governo Bolsonaro não teve sequer reposição da perda inflacionária do salário mínimo. Ele acabou com programas como Farmácia Popular”, disse. “Se tem alguém capaz de fazer mudança é o presidente Lula. Não há outra liderança capaz de fazer as mudanças que o povo brasileiro precisa.”

Bala de prata

O dirigente petista descartou que a campanha tenha uma “bala de prata” para usar na reta final da disputa contra o senador do PL, e disse que a ideia é reforçar as críticas contra Flávio. Edinho acusou o senador do PL, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de ter ligação com milícias do Rio de Janeiro.

“Temos muita clareza da nossa linha. Quem é o líder capaz de formar maioria na sociedade, no Congresso para fazer as mudanças que o país precisa? Como que alguém que lidera movimentos de milicianos pode falar de segurança pública? Não tem como. Como que alguém que até hoje não explicou a compra de dezenas de imóveis, que tem sócio fazendo denúncias graves contra ele, que tem relação umbilical com [o ex-banqueiro Daniel] Vorcaro pode falar de corrupção?”, afirmou, em críticas a Flávio. “Se tem alguém que pode ser o interlocutor da mudança é o presidente Lula.”

Edinho citou a tentativa de golpe de Estado de Bolsonaro, que levou o ex-presidente à inelegibilidade e à prisão, e disse que os atos terroristas do 8 de janeiro de 2023 “não deveriam sair da memória”. “As forças políticas que deram o ‘start’ ao 8 de janeiro de 2023 estão disputando as eleições”, afirmou.

Debate religioso

O petista criticou a entrada do debate religioso na disputa eleitoral e disse que “está tomando uma dimensão que não deveria tomar no Brasil”. “A gente tem que começar a ter ações para impedir uma guerra religiosa. Deveria tomar medidas para baixar a temperatura desse debate religioso no Brasil”, disse.”É muito ruim, não se pode tratar com naturalidade. É grave.”

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