Skip to content
Newra News
World

Quase 3 em cada 10 crianças e adolescentes têm hipertensão, aponta levantamento feito em escolas de 3 estados brasileiros

Quase 3 em cada 10 crianças e adolescentes têm hipertensão, aponta levantamento da SBC feito em 3 estados

G110 min read
Quase 3 em cada 10 crianças e adolescentes têm hipertensão, aponta levantamento feito em escolas de 3 estados brasileiros

Excerpt

Adobe Stock

Quase três em cada dez crianças e adolescentes avaliados em escolas brasileiras apresentam hipertensão arterial, condição frequentemente associada à população adulta. O dado faz parte de um levantamento do projeto Brasil Coração Saudável, que analisou a saúde de mais de 6 mil estudantes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Segundo os resultados, 28,3% dos participantes foram classificados com hipertensão e outros 11,6% com pré-hipertensão. Os números chamam a atenção não apenas pela frequência de alterações na pressão arterial, mas também pela associação com o excesso de peso, identificado em aproximadamente um terço dos estudantes.

Entre crianças e adolescentes de 7 a 18 anos com obesidade, 48,4% apresentaram hipertensão, proporção mais que duas vezes superior à registrada entre aqueles classificados como eutróficos, ou seja, com peso considerado adequado (22,6%).

A diferença se torna ainda mais expressiva entre adolescentes de 15 a 18 anos: nesse grupo, 60,5% dos participantes com obesidade apresentaram hipertensão, contra 23,4% daqueles com peso adequado.

Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp

Agora no g1

O levantamento também identificou outros indicadores relacionados à saúde cardiovascular e ao estilo de vida dos estudantes:

33,1% apresentaram excesso de peso, sendo 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade, incluindo a grave.

59% passavam pelo menos três horas por dia diante de telas fora do ambiente escolar.

66,1% dos que praticavam atividade física na escola dedicavam apenas uma a duas horas semanais a essas atividades.

17,4% apresentaram relação cintura/altura acima de 0,5, indicador de adiposidade central aumentada.

Aproximadamente um em cada oito relatou estresse intenso ou exagerado em casa e na escola.

Os dados integram a análise descritiva da primeira fase do projeto Brasil Coração Saudável, que reuniu 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas, examinados entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026. A maior parte dos participantes é de Minas Gerais (2.973) e do Rio Grande do Sul (3.059), enquanto São Paulo contribuiu com 60 estudantes.

Os resultados são descritivos e não representam, necessariamente, a realidade de todas as crianças e adolescentes brasileiros. Além disso, o documento não detalha o protocolo de confirmação diagnóstica da hipertensão, de modo que as classificações apresentadas no levantamento não devem ser interpretadas automaticamente como diagnósticos clínicos definitivos.

Hipertensão atinge mais de 40% dos meninos de 15 a 18 anos

A análise mostra diferenças importantes na frequência de hipertensão conforme a idade e o sexo dos participantes.

Entre os meninos de 15 a 18 anos, 40,7% foram classificados com hipertensão, a maior proporção identificada entre os grupos etários e sexos avaliados. Entre as meninas da mesma idade, o percentual foi de 28,6%.

Outra taxa elevada apareceu entre os meninos menores de 7 anos, dos quais 39,1% apresentaram hipertensão. Entre as meninas dessa faixa etária, o percentual foi de 30,2%.

Nos demais grupos, os resultados também indicaram uma presença expressiva de alterações na pressão arterial.

A classificação considerou hipertensão nos estágios 1 e 2, somados. Para essa análise, foram utilizados dados de 6.031 participantes.

A pré-hipertensão, por sua vez, foi identificada em 12,6% dos meninos e 10,7% das meninas.

O maior percentual apareceu entre os meninos de 15 a 18 anos, grupo em que 21,9% apresentaram pré-hipertensão. Entre as meninas da mesma idade, a proporção foi de 9,4%.

Pressão arterial aumenta com a idade

O levantamento também analisou os valores médios da pressão arterial de 5.541 participantes entre 7 e 18 anos.

A pressão arterial sistólica, conhecida como máxima, aumentou progressivamente com a idade.

Entre os meninos, a média passou de 103,5 mmHg, na faixa de 7 a 10 anos, para 121,8 mmHg entre 15 e 18 anos.

Entre as meninas, o aumento foi de 103,6 mmHg para 112,6 mmHg nas mesmas faixas etárias.

A pressão diastólica, conhecida como mínima, também apresentou elevação:

• Meninos: de 66,3 mmHg, entre 7 e 10 anos, subiu para 72,7 mmHg, entre 15 e 18 anos.

• Meninas: de 66,3 mmHg subiu para 71,9 mmHg nas mesmas idades.

A diferença entre os sexos foi mais acentuada na pressão sistólica dos adolescentes mais velhos, com média de 121,8 mmHg entre os meninos e 112,6 mmHg entre as meninas.

Excesso de peso atinge um em cada três estudantes

Outro resultado relevante da pesquisa é a frequência de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes.

De acordo com a análise, 19,5% dos participantes apresentaram sobrepeso e 13,6% obesidade, incluindo obesidade grave. Somados, os dois grupos representam aproximadamente um terço dos estudantes avaliados.

Os resultados variaram conforme a idade e o sexo. O sobrepeso foi mais frequente entre as meninas de 11 a 14 anos, atingindo 24% das participantes dessa faixa etária. Entre os meninos da mesma idade, a proporção foi de 17,8%.

Já a obesidade apresentou maior frequência entre os meninos de 7 a 10 anos, com 17,1%, contra 14% das meninas.

Entre os menores de 7 anos, a obesidade também apareceu em percentuais elevados: 16,7% dos meninos e 16,1% das meninas.

Na faixa de 15 a 18 anos, as proporções foram menores, chegando a 7,4% entre os meninos e 8,3% entre as meninas.

Considerando todas as idades, o levantamento registrou obesidade em 15,6% dos meninos e 11,9% das meninas.

IMC e circunferência abdominal aumentam com a idade

As medidas corporais também mostraram diferenças entre os grupos etários.

O índice de massa corporal (IMC) médio passou de 17,9 kg/m², entre 7 e 10 anos, para 22,5 kg/m² entre 15 e 18 anos.

A circunferência abdominal média aumentou de 62,6 centímetros para 74,1 centímetros nas mesmas faixas etárias.

Entre os adolescentes de 15 a 18 anos, os meninos apresentaram circunferência abdominal média de 76,2 centímetros, enquanto as meninas registraram 72,5 centímetros.

O documento apresenta essas medidas como resultados descritivos por idade e sexo, sem atribuir isoladamente a elas uma classificação de risco.

Quase metade dos estudantes com obesidade apresenta hipertensão

Um dos achados mais expressivos da pesquisa é a associação entre o estado nutricional e a frequência de hipertensão arterial.

Entre crianças e adolescentes de 7 a 18 anos classificados com obesidade, 48,4% apresentaram hipertensão.

A proporção caiu para 30,1% entre aqueles com sobrepeso e para 22,6% entre os classificados como eutróficos.

Proporção de hipertensão por estado nutricional de 7 a 18 anos

A associação foi observada em todas as faixas etárias analisadas, mas se destacou entre os adolescentes mais velhos.

Entre os participantes de 15 a 18 anos, a hipertensão atingiu:

23,4% daqueles com peso adequado;

32,6% daqueles com sobrepeso;

60,5% daqueles com obesidade.

Na faixa de 11 a 14 anos, 47,9% dos participantes com obesidade apresentaram hipertensão, ante 18,9% daqueles com peso adequado.

Entre 7 e 10 anos, as proporções foram de 46,4% e 25,8%, respectivamente.

Os resultados indicam que, dentro da população avaliada, a frequência de hipertensão foi maior entre os estudantes com excesso de peso. Por se tratar de uma análise descritiva, os dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito.

Acúmulo de gordura abdominal também aparece associado à pressão alta

Além do peso corporal, a pesquisa avaliou indicadores de adiposidade central, expressão utilizada para descrever o acúmulo de gordura na região abdominal.

Foram consideradas duas medidas: a relação cintura/estatura (RCE) e a circunferência abdominal.

Segundo os resultados, 17,4% dos participantes apresentaram relação cintura/estatura superior a 0,5, enquanto 14,1% tinham circunferência abdominal igual ou superior ao percentil 90.

A adiposidade central foi mais frequente entre os menores de 7 anos. Nessa faixa etária, 32,2% dos meninos e 34,2% das meninas apresentaram circunferência abdominal no percentil 90 ou acima.

A frequência desse indicador diminuiu nas faixas etárias seguintes.

Quanto maior a relação cintura/altura, maior a frequência de hipertensão

Entre crianças e adolescentes de 7 a 18 anos com relação cintura/estatura acima de 0,5, 40,6% apresentaram hipertensão, contra 24,4% daqueles com medida considerada adequada.

Quando o indicador utilizado foi a circunferência abdominal, a hipertensão atingiu 46,3% dos participantes com valores iguais ou superiores ao percentil 90, contra 26,3% dos demais.

A associação também apareceu nos valores médios da pressão arterial. Entre os participantes com relação cintura/estatura aumentada, a pressão sistólica média foi de 111,5 mmHg, contra 106,8 mmHg entre aqueles com medida adequada.

Na pressão diastólica, as médias foram de 71,3 mmHg e 67,1 mmHg, respectivamente.

Outro resultado mostra uma elevação progressiva da frequência de hipertensão conforme aumenta a relação cintura/estatura.

Entre os estudantes com relação cintura/estatura inferior a 0,40, a proporção de hipertensão foi de 19,4%. Já entre aqueles com índice igual ou superior a 0,55, chegou a 45,7%.

Quase 60% passam pelo menos três horas por dia diante de telas

O levantamento também investigou o tempo dedicado a dispositivos eletrônicos fora do ambiente escolar.

Os resultados mostram que 59% dos participantes passavam três horas ou mais por dia diante de telas, com média de 3,8 horas diárias.

O celular foi o dispositivo mais utilizado, mencionado por 86% dos estudantes, seguido pela televisão, com 80%.

Os percentuais indicam que aproximadamente três em cada dez estudantes passavam de três a quatro horas por dia diante de telas, enquanto quase um em cada quatro permanecia cinco horas ou mais.

Os dados foram obtidos a partir das respostas de 6.075 participantes.

Dois terços praticam apenas uma a duas horas semanais de atividade física na escola

A pesquisa também investigou a prática de atividade física no ambiente escolar.

Segundo o levantamento, 93% dos estudantes praticavam alguma atividade física na escola.

Entretanto, entre os que praticavam, 66,1% dedicavam apenas uma a duas horas por semana a essas atividades.

Outros 26,3% praticavam entre três e cinco horas semanais. Apenas 5,5% registraram de seis a dez horas, enquanto 1,4% relataram de 11 a 20 horas e 0,6% disseram praticar 21 horas ou mais.

A análise foi realizada com dados de 5.671 participantes.

Um em cada oito relata estresse intenso ou exagerado em casa e na escola

Além dos indicadores físicos, a pesquisa avaliou a percepção de estresse entre os 6.092 participantes.

Os estudantes responderam sobre a intensidade do estresse vivenciado em três ambientes: casa, escola e sociedade.

Os resultados mostram que 12,7% relataram estresse intenso ou exagerado em casa e 12,5% na escola.

Quando o ambiente considerado foi a sociedade, o percentual caiu para 6,3%.

A pesquisa também identificou proporções relevantes de estresse moderado:

Em casa: 26%.

Na escola: 24%.

Na sociedade: 17%.

Por outro lado, 21% dos participantes disseram não perceber estresse em casa, 25% na escola e 38% na sociedade.

Na avaliação dos pesquisadores, apresentada nos gráficos do levantamento, aproximadamente um em cada oito estudantes relatou níveis intensos ou exagerados de estresse nos ambientes doméstico e escolar.

Os resultados não estabelecem uma relação direta entre os níveis de estresse e os indicadores cardiovasculares encontrados na amostra.

Gratidão, altruísmo e ressentimento também foram avaliados

O projeto incluiu ainda uma avaliação de saúde espiritual, utilizando a versão brasileira para crianças do instrumento PRIMA.

A análise considerou diferentes dimensões, como gratidão, altruísmo, compaixão, propósito, perdão e raiva.

Entre os 6.098 registros analisados nessa parte do levantamento, 93% apresentaram respostas de concordância no domínio da gratidão, o maior percentual entre os aspectos avaliados.

O altruísmo apareceu em seguida, com 86,4%, e a compaixão registrou 87,5%.

A dimensão relacionada ao propósito alcançou 76,2%.

Os resultados também mostraram que 56,7% concordaram com a afirmação relacionada ao ressentimento por pessoas que os prejudicaram.

Já 45,8% concordaram com a afirmação de que a raiva havia prejudicado suas relações com outras pessoas.

Esses dois últimos indicadores foram avaliados por meio de itens invertidos: a concordância representa, respectivamente, maior ressentimento e presença de raiva, e não maior capacidade de perdoar ou controlar emoções.

Read at source

Story published by G1. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.

Read next

Newsletter

The world does not fit in your feed. The right summary fits in your morning.

Get the Newra Daily by email: the day’s article, written from the main stories, in a single read.

One email a day. Unsubscribe whenever you want, in one click.