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Polícia Civil mira esquema de adulteração de taxímetros que cobrava até 50% a mais de passageiros no Galeão

A Polícia Civil iniciou, nesta quinta-feira (8), uma operação contra um esquema de adulteração de taxímetros que, segundo as investigações, cobrava valores acima do devido de passageiros que embarcavam no Aeroporto Internacional do Galeão, na Zona Norte do Rio.

G14 min read

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Em um dos casos, o passageiro pagou 50% a mais pela corrida.

Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), da Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj) e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) saíram para cumprir mandados de busca e apreensão em imóveis nos bairros do Rocha e da Piedade, na Zona Norte da cidade, além do Centro do Rio e do próprio terminal aeroportuário.

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Investigação aponta que fraude era feita por meio de dispositivo eletrônico escondido nos veículos. Agentes cumprem mandados em endereços ligados a empresa de locação de táxis e a uma oficina na capital.

Denúncia

De acordo com a Polícia Civil, a fraude foi descoberta após a denúncia de um passageiro que havia acabado de desembarcar no Galeão. Segundo o relato, ele foi abordado por um homem que se apresentou como ligado ao serviço de táxi e o conduziu até um veículo. Durante o trajeto, o passageiro percebeu um aumento repentino no valor indicado no taxímetro e, ao final da corrida, pagou cerca de 50% a mais do que a tarifa regular.

O carro utilizado na viagem foi localizado e passou por perícia. Exames realizados pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro. Segundo os peritos, o equipamento era capaz de multiplicar os pulsos enviados pelo sensor do automóvel, elevando artificialmente o valor da corrida.

Ainda de acordo com a investigação, o dispositivo ficava escondido atrás de um botão do porta-malas e podia ser acionado discretamente pelo motorista. A ativação acrescentava cerca de 20% ao valor registrado pelo taxímetro.

Estrutura organizada

As investigações apontam que o mecanismo não era utilizado de forma isolada. Documentos apreendidos indicam que a instalação do dispositivo seria exigida por uma empresa responsável pela locação de táxis e realizada em uma oficina indicada pelo próprio grupo.

A Polícia Civil apura se os equipamentos já eram entregues instalados nos veículos, o que permitiria que o aumento indevido das tarifas ocorresse de forma contínua, sem conhecimento dos motoristas locatários.

Os investigadores também identificaram indícios de que a frota ligada ao grupo chegue a cerca de 200 veículos.

Passageiros

Outro foco da investigação é a atuação de captadores de passageiros, conhecidos como "jóqueis", no Aeroporto do Galeão.

Segundo a Polícia Civil, eles abordavam passageiros, principalmente turistas e pessoas que não conheciam a cidade, e recebiam comissão para encaminhá-los a veículos sem autorização para operar no terminal.

O material reunido durante a investigação apontou diversos casos de cobranças consideradas abusivas. Entre eles, corridas para a Zona Sul que teriam ultrapassado R$ 900.

De acordo com os investigadores, a atuação dos "jóqueis" seria coordenada por um integrante do tráfico de drogas da comunidade do Barbante, na Ilha do Governador. A polícia apura ainda uma tentativa de expandir o controle do esquema para taxistas autorizados a operar no aeroporto, embora, segundo os agentes, isso ainda não tenha se concretizado.

Os mandados desta quinta-feira têm como alvo a sede operacional e o pátio de frota de um grupo empresarial de locação de táxis, uma empresa vinculada ao grupo e a oficina apontada como responsável pela instalação dos dispositivos.

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