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Dólar tem maior queda semanal pós-1º turno desde criação do real

O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira em queda firme, com os agentes financeiros reduzindo o prêmio de risco dos ativos brasileiros diante da possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se eleger presidente na eleição deste ano.

Valor Econômico5 min read
Dólar tem maior queda semanal pós-1º turno desde criação do real

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Com a euforia desta semana, o dólar saiu do patamar de R$ 5,21 na sexta-feira passada para R$ 4,98 no pregão de hoje, em recuo semanal de 4,43%, a maior depreciação da moeda americana frente à divisa brasileira após um primeiro turno de disputa presidencial desde que o real foi adotado em 1994.

Todo esse otimismo, no entanto, vem sendo ponderado, com operadores vendo espaço para um ajuste, já que ainda não há clareza sobre o plano fiscal do senador.

Encerradas as negociações de hoje, o dólar à vista teve queda de 0,79%, cotado a R$ 4,9845, enquanto o euro comercial recuou 0,92%, a R$ 5,5821. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,09%, aos 102,227 pontos. Hoje, o real apresentou o segundo melhor desempenho entre as 33 moedas mais líquidas, atrás apenas do peso colombiano.

O dólar abriu o pregão desta sexta-feira em queda, refletindo a redução no prêmio de risco fiscal, diante da maior chance que os investidores veem na vitória de Flávio Bolsonaro no pleito presidencial. Neste entusiasmo de boa parte do mercado, o dólar acumulou sua maior desvalorização semanal pós-primeiro turno. Até então, a maior queda da moeda americana havia sido observada no pleito de 2022, quando na semana posterior à primeira etapa das votações, a divisa recuou 3,36%. Naquele ano, também houve uma surpresa dos agentes em relação ao resultado, já que o então presidente Jair Bolsonaro não se mostrava tão competitivo nas pesquisas, mas acabou surpreendendo.

Apesar da melhora do câmbio, há quem veja a eleição do senador já bem precificada, como é o caso da Capital Economics.

“Analisamos em que medida os ativos brasileiros tiveram desempenho superior ou inferior ao esperado após as duas eleições anteriores. Com base nesses parâmetros históricos e nos movimentos observados nos mercados financeiros até agora (tanto antes da eleição, com a ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, quanto ao longo desta semana), a maior parte das notícias positivas já parece estar precificada nos mercados de câmbio e de ações", diz o economista-chefe de mercados emergentes, William Jackson.

Já o estrategista-chefe de moedas do banco BMO Capital Markets, Mark McCormick, questiona se os mercados foram longe demais, rápido demais. “Acreditamos que sim e recomendamos cautela antes de tentar aproveitar o movimento no curto prazo, embora a perspectiva para os próximos 12 meses seja mais favorável, à medida que o Brasil atrai mais capital, especialmente para o mercado acionário”, diz, ponderando que um resultado eleitoral não equivale a um plano fiscal. “Flávio Bolsonaro conta com uma coalizão maior do que a esperada, mas os cortes de gastos ainda enfrentam obstáculos, como a indexação constitucional de despesas, as transferências obrigatórias protegidas e o espaço limitado para reduzir gastos discricionários.”

Ele lembra que o cenário macroeconômico também vem evoluindo na direção errada, com o alívio recente da inflação podendo não durar diante da alta do petróleo, dos choques nos preços dos alimentos associados ao El Niño e da pressão dos salários sobre os preços. “Isso limita o espaço para o Banco Central reduzir os juros e reforça a perspectiva de desaceleração do crescimento.”

Por conta disso, McCormick afirma que, para os mercados, esse cenário limita o espaço para novas quedas do dólar frente ao real e para a continuidade do rali dos juros locais. “A bolsa brasileira deve continuar dando suporte ao real e pode amortecer eventuais pressões de alta sobre o câmbio, mas o aperto monetário do Federal Reserve (Fed) pode limitar o potencial de valorização do real até o fim do ano", diz. O banco projeta que o dólar volte a superar R$ 5,10 antes do fim do ano e vê uma posição vendida em euro contra o real como uma estratégia seletiva de “carry” e uma proteção com exposição aproximadamente neutra ao dólar.

Diante dessa valorização intensa do real nos últimos dias, houve relatos de uma possível saída de capital do país por parte de empresas que estavam esperando uma janela ideal para uma remessa. Quando o dólar cai bastante, companhias (em especial locais), que precisam enviar recursos para o exterior ou fechar pagamento de frete e importações, aproveitam para fazer a conversão. Essa provável saída foi estipulada diante de uma piora no dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e do dólar à vista.

Já na virada de mês, o spread da taxa do dólar casado com a taxa efetiva dos fed funds vinha pressionado, acima de 1,3 ponto percentual. Nos últimos dias, esse diferencial abriu gradativamente e, agora, opera entre 1,6 e 1,7 ponto. Por cont de uma possível pira na liquidez, traders dizem ver espaço para o BC entrar no mercado de câmbio, atuando via leilão de linha, a venda com compromisso de recompra, ou pelo “casadão”, a venda à vista conjugada com a compra no mercado futuro via swap cambial reverso.

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