Flávio Bolsonaro recebe apoios e fala em ‘mudar a Constituição’
Flávio se reúne com Ronaldo Caiado e diz a aliado que Brasil o deu Congresso à direita “para a gente mudar a Constituição, para redemocratizar esse país”

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Cristiano Mariz/Agência O Globo
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, recebeu na terça-feira (6) o apoio oficial de Ronaldo Caiado (PSD) para o segundo turno da corrida pelo Palácio do Planalto. O movimento se soma ao da cúpula da federação União Brasil-PP, que também fechou com o candidato do PL para o segundo turno, depois de permanecer neutra na primeira etapa da eleição. Sem entrar em detalhes, Flávio falou em “mudar a Constituição” e “redemocratizar esse país”.
O candidato, que venceu o primeiro turno com uma base mais restrita, passou a buscar adesões entre candidatos derrotados e partidos que não haviam escolhido um lado.
Em meio ao anúncio de apoios, Flávio declarou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não fará parte de um eventual governo. Também afirmou que o ex-presidente não deverá disputar o Palácio do Planalto em 2030.
“O presidente Bolsonaro nunca me pediu, nunca discutiu se fará o governo participar ou não. Eu sempre disse que ele vai ser eternamente o meu professor, é o meu conselheiro, para quem eu sempre vou perguntar alguma coisa”, disse o senador a jornalistas no quartel-general da campanha, em Brasília.
Caiado, que terminou a disputa presidencial em quinto colocado e que fez críticas a Flávio durante a campanha, anunciou o apoio ao lado do senador. O anúncio foi feito em Goiânia (GO), capital do Estado de Caiado, na primeira agenda pública do candidato do PL após a apuração das urnas no domingo (4). Também participaram do encontro os governadores de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Assim como Caiado, o candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, também declarou apoio ao senador no segundo turno. O apoio foi oficializado na segunda-feira (5).
A viagem de Flávio a Goiás integra a estratégia da campanha para o segundo turno, de ampliar a votação em regiões consideradas estratégicas para a direita. Em agenda em Goiânia no dia 27 de setembro, o senador já havia pedido que eleitores de Caiado antecipassem o voto nele ainda no primeiro turno. Na ocasião, afirmou que uma votação expressiva na capital goiana poderia ajudá-lo a vencer a eleição já na primeira etapa.
Candidato declarou que seu pai, Jair Bolsonaro, não fará parte de um eventual governo
Durante a agenda de terça-feira, o candidato do PL afirmou que pretende usar a maioria conquistada por seu grupo político no Congresso Nacional para promover mudanças na Constituição. A declaração ocorre após o resultado do primeiro turno, que ampliou a presença da direita no Legislativo.
O PL garante no momento uma bancada de 28 senadores, a maior da casa legislativa, e bolsonaristas ou aliados táticos de Flávio venceram em primeiro turno a disputa de catorze governos estaduais. Além disso, a bancada do PL na Câmara será de 121 deputados.
“O Brasil já me deu, Caiado, um Congresso muito mais à direita do que é hoje, com maioria no Senado para eleger presidente, com maioria na Câmara para eleger presidente, para a gente mudar a Constituição, para redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar esse país”, disse Flávio.
A estratégia de eleger aliados para o Congresso foi defendida pelo senador ao longo da campanha. A intenção é ampliar a influência do grupo sobre o comando das Casas e prerrogativas do Legislativo, como a análise de indicações do Executivo e processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesse contexto, Flávio voltou a associar seu adversário no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
“É por isso que o Brasil está sem presidente. Porque o Lula deve o seu mandato ao Alexandre de Moraes. Ele compartilhou a Presidência com ele. Resultado: o Brasil está completamente descontrolado”, declarou o senador.
No mesmo dia em que recebeu o apoio de Caiado, Flávio também obteve o endosso da federação União Brasil-PP. A decisão foi anunciada após reunião, em Brasília, com as bancadas de deputados e senadores eleitos.
A líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), anunciou a decisão e afirmou que as executivas dos dois partidos aprovaram por aclamação o apoio ao candidato do PL no segundo turno. Tereza havia sido convidada pelo PL para ser vice na chapa de Flávio, mas recusou o convite depois de o PP decidir manter a neutralidade na disputa.
“As executivas se reuniram e decidiram, por unanimidade, o apoio no segundo turno ao presidente Flávio Bolsonaro. E também houve o fechamento de questão. Então, no segundo turno, União Brasil e Progressistas (PP) vão trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro”, disse.
Questionada se parlamentares de União Brasil e PP que apoiam a reeleição de Lula poderiam ser punidos caso mantivessem esse posicionamento, Tereza afirmou que a questão ainda será discutida.
“Isso vai ser discutido depois, mas o partido deu um encaminhamento, e a grande maioria que estava presente, por aclamação, votou sim”, ressaltou.
Além dos apoios já anunciados, Flávio fez novas investidas na terça-feira para ampliar sua base no segundo turno. O candidato se reuniu com integrantes do Republicanos e do Podemos e pediu que os partidos também o apoiassem na disputa. As siglas ainda devem consultar suas bancadas antes de tomar uma decisão.
Segundo Flávio, o que falta para o Republicanos formalizar o apoio é uma “identidade programática”. Como mostrou o Valor, mesmo integrantes da legenda favoráveis ao candidato do PL avaliam que o partido pode manter a neutralidade em respeito aos filiados que apoiam a reeleição de Lula. É o caso, por exemplo, do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“[Tivemos] tanto com os Republicanos quanto com o Podemos uma primeira conversa”, disse Flávio após reunião com Tarcísio, do Republicanos. “Eles vão voltar para suas bancadas para tomar alguma decisão em conjunto. Fico satisfeito com essa possibilidade de cada vez mais pessoas, mais preparadas, grandes quadros, que as urnas consagraram agora no último domingo, querendo nos ajudar nessa reta final de campanha e, sem dúvida alguma, compartilhando o mesmo desejo que eu tenho, de buscar a pacificação no Brasil.”
Além disso, Flávio confirmou ao longo do dia que participará dos debates presenciais na televisão durante o segundo turno.
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