Teorias de premiados com Nobel de Economia foram debatidas por articulistas do Valor
As ideias do acadêmico Michael Woodford, que recebeu nesta segunda-feira (12) o Prêmio Nobel de Economia de 2026, juntamente com Robert Hall, foram debatidas por diversos economistas e articulistas nas páginas do Valor.

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Em janeiro deste ano, Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional (2003-2006) e ex-ministro da Fazenda (2015), publicou artigo em que cita os modelos novo-Keynesianos defendidos por Woodford.
“Decorre deles que a política monetária ótima envolve o banco central guiar expectativas através de atuação e comunicação críveis, baseadas na trajetória prevista da inflação. Essa base teórica reforçou a disseminação dos regimes de metas de inflação que chegaram ao Brasil em 1999”, afirma Levy.
Segundo o ex-ministro, os modelos novo-Keynesianos de equilíbrio geral dinâmico, que incorporavam a linguagem das expectativas racionais e davam proeminência aos juros para o controle da inflação, foram surgindo no debate econômico.
“Nos novos modelos, como o de Woodford em ‘Juros e Preços’ [seu livro, de 2003], com expectativas racionais, concorrência imperfeita e rigidez de preços, a inflação era determinada pelos juros, enquanto a moeda tornava-se variável endógena. Dada a aversão ao risco dos consumidores nesses modelos, a volatilidade apenas atrapalhava, implicando que políticas monetárias discricionárias e imprevisíveis seriam prejudiciais e ineficazes”, escreveu.
O economista André Lara Resende, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES - 1998), no artigo “Consenso e Contrassenso: déficit, dívida e previdência”, publicado em março de 2019, trouxe críticas às ideias de Woodford e de outros economistas alinhados às suas teorias.
“A partir da década de 1990, sobretudo depois dos trabalhos de Michael Woodford (2002), a teoria macroeconômica eliminou a moeda do modelo analítico de referência”, diz. “Ficou explícito que o banco central só atua sobre a demanda agregada através da taxa de juros, para levar a inflação a ficar dentro das metas anunciadas”, comentou no texto que foi amplamente debatido por economistas nas páginas do Valor.
Em artigo sobre política monetária e regime de metas de inflação, Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, lembra que Woodford recomenda: o regime de metas deve almejar a estabilização dos preços que são reajustados com pouca frequência (...). Flutuações mais intensas nos preços sujeitos a ajustamentos frequentes ou choques de oferta atípicos devem ser excluídas dos modelos que adotam o regime de metas de inflação.
O economista-chefe da Gladius Research, Benito Salomão, no artigo “Os limites dos Bancos Centrais”, publicado em agosto de 2022, discute a disparada da inflação no Brasil, nos EUA e países da zona do euro e diz que o processo de desinflação seria doloroso. No texto, ele cita Woodford como teórico sobre inflação e juros.
Tony Volpon, estrategista-chefe da WHG e autor de “Pragmatismo com Coação: Petismo e Economia em um Mundo de Crises”, em artigo escrito em julho de 2022, propõe a rediscussão do modelo de metas de inflação adotado ao redor do mundo, do qual Woodford é um dos expoentes.
“Não é meu propósito, aqui, fazer uma crítica teórica ao novo-keynesianismo (...). O que eu gostaria de apontar é a falácia de, em um país emergente como o Brasil, se usar um paradigma teórico e prático que foi criado por, em grande parte, economistas americanos que pensavam o problema da política monetária dos EUA”, afirma.
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