Skip to content
Newra News
Economy

IA amplia comércio global e compensa choque do petróleo

Os investimentos em inteligência artificial (IA) são tão altos que eles foram mais que suficientes para compensar os efeitos negativos da guerra contra o Irã e garantirão um robusto crescimento do comércio global, de 3,9% em 2026 — mais que o dobro do 1,9% da previsão do início do ano —, segundo dados da Organização…

Valor Econômico5 min read
IA amplia comércio global e compensa choque do petróleo

Excerpt

Eric Thayer/Bloomberg

Os investimentos em inteligência artificial (IA) são tão altos que eles foram mais que suficientes para compensar os efeitos negativos da guerra contra o Irã e garantirão um robusto crescimento do comércio global, de 3,9% em 2026 — mais que o dobro do 1,9% da previsão do início do ano —, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC). Neste ano, pela segunda vez, a expansão das trocas mundiais de mercadorias ultrapassará o crescimento do PIB global, embora não repita o padrão de 1,5 a 2 vezes o avanço da economia global, como foi o padrão até o início dos anos 2000, rompido pela grande crise financeira de 2008. De qualquer forma, o bom desempenho surpreende por ocorrer em um período especialmente turbulento para o comércio, com a muralha tarifária imposta pelo presidente americano, Donald Trump, e a guerra que os EUA iniciaram contra o Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das artérias vitais de petróleo, por muito tempo.

As economias foram afetadas desigualmente pelo forte aumento dos preços de petróleo, gás natural e fertilizantes. Mas, de maneira geral, a reação à escassez provocada pelo fechamento de Ormuz e a escalada das cotações foram bastante contidas pelo aumento da oferta dos países fora da região do conflito, como Brasil, Noruega e EUA, por exemplo. A OMC calcula que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio declinaram 24%, e as gás natural liquefeito (GNL), 47%, no primeiro semestre. A ampliação da oferta de outros fornecedores, no entanto, reduziu a queda nas exportações do produto a 6%.

Da mesma forma, o aumento do suprimento de fertilizantes, que explodiram de preços quando a guerra começou, em 28 de fevereiro, reduziu significativamente os problemas de oferta. Segundo a OMC, as importações de fertilizantes nitrogenados situavam-se na metade do ano apenas 2,8% abaixo das médias anuais recentes, enquanto as de fertilizantes fosfatados até aumentaram (2,2%). Os preços continuam mais altos que antes do início dos conflitos no Oriente Médio, porém bem menores do que no pior cenário previsto. A pressão de custos dos insumos para o início do plantio da safra brasileira, assim, foi atenuada.

Os riscos para a evolução do comércio global são a inteligência artificial e a guerra no Golfo, forças que estão agindo em direções contrárias. O aumento das cotações de petróleo interrompeu o processo de redução da inflação nos países ricos e em vários emergentes, e jogou os preços para cima. Permanece um enorme prêmio entre as cotações do óleo bruto, na casa dos US$ 100 o barril tipo Brent, e refinados como o diesel, com o barril cotado ao redor de US$ 200, encarecendo fortemente custo de transportes e fretes. A alta do petróleo atuou também como coadjuvante importante na elevação dos juros cobrados nos títulos soberanos de longo prazo dos Estados Unidos e da União Europeia, ao afastar um pouco mais a inflação das metas fixadas pelos bancos centrais.

Já o ritmo de crescimento do comércio impulsionado pela IA tem sido em progressão geométrica. Em 2024, avançou 16%, em 2025, 31%, e apenas no primeiro semestre de 2026, nada menos que 67%. A parcela dos bens utilizados para desenvolver a IA — acompanhada pelo aumento da capacidade das tecnologias da informação, como nuvem, cibersegurança, computação quântica — cresceu de 8% do comércio de mercadorias em 2016 para 14,8% hoje. Apesar disso, produtos para a IA garantiram de 40% a 50% do crescimento total das trocas globais.

Os investimentos em IA seguem um ritmo frenético. Segundo cálculos do Goldman Sachs, big techs, gigantes de chips e outros participantes do mercado vão dispender de US$ 725 bilhões a US$ 765 bilhões em 2026 em seus projetos, um valor 77% maior do que gastaram no ano passado. A intensidade de capital requerida faz da IA um jogo concentrado em poucos países. Os dez maiores participantes dele são responsáveis por 85% das exportações e 80% das importações. Mais da metade das exportações é feita por apenas quatro economias, as de Taiwan, Hong Kong, China e Coreia do Sul, com crescimento acelerado do México e Vietnã. Já Estados Unidos, China e Hong Kong abocanham metade das importações. Das economias europeias, apenas a Holanda está entre os dez maiores participantes do mercado de IA.

Gastos para a construção da infraestrutura global da IA devem crescer de 10% a 20% em 2027, de acordo com a OMC, e continuarão sendo o principal motor da expansão do comércio de mercadorias, prevista em 4,1%. O comércio conjunto de bens e serviços deverá aumentar 3,7% este ano e 4,7% em 2027. O risco de uma diminuição ou mesmo reversão dos investimentos em IA, dado seu papel preponderante nas trocas globais, teria um impacto significativos. Deprimiria o comércio, reduziria o efeito riqueza que ajuda a promover no mercado acionário americano, desaceleraria o crescimento dos EUA e outras economias e poderia trazer ondas de instabilidade nos mercados financeiros globais, já às voltas com a ascensão dos juros de longo prazo.

Read at source

Story published by Valor Econômico. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.

Read next

Newsletter

The world does not fit in your feed. The right summary fits in your morning.

Get the Newra Daily by email: the day’s article, written from the main stories, in a single read.

One email a day. Unsubscribe whenever you want, in one click.