Honda testará recarga de veículos elétricos em movimento
A tecnologia que carrega veículos elétricos sem fio enquanto eles trafegam está se aproximando de uma aplicação prática no Japão. Uma equipe liderada pela Honda e pela empreiteira Taisei planeja realizar demonstrações em rodovias no ano fiscal de 2027 ou posteriormente.

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O potencial dessa tecnologia para permitir baterias menores em veículos elétricos — o que poderia tornar esses carros mais baratos e incentivar sua adoção em massa — tem gerado grande interesse, embora ainda existam preocupações quanto à viabilidade e aos custos.
"Estamos assumindo o desafio de construir uma infraestrutura social de próxima geração", disse Taku Ueda, engenheiro-chefe de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Honda e líder do projeto, em uma entrevista coletiva realizada na segunda-feira pela Honda, pela Taisei e pela subsidiária de pavimentação Taisei Rotec. "Essa tecnologia ampliará ainda mais as possibilidades dos veículos elétricos."
As três empresas pretendem implementar sua tecnologia comercialmente em rodovias. Equipamentos de transmissão de energia embutidos sob a superfície da estrada enviariam eletricidade sem fio para os veículos em movimento; estes receberiam a energia por meio de equipamentos internos e carregariam enquanto trafegam.
Inicialmente, as empresas focarão em veículos comerciais utilizados para logística e transporte. O sistema foi projetado para funcionar em velocidades de até 120 km/h, o limite de velocidade nas rodovias japonesas.
Um aspecto fundamental é o desenvolvimento integrado dos sistemas do veículo e da infraestrutura. A Honda é responsável pelos equipamentos de transmissão e recepção de energia; a Taisei, pelos sistemas de fornecimento de energia; e a Taisei Rotec, pelos métodos de construção da via. Elas esperam melhorar a eficiência do carregamento otimizando todo o sistema, desde a transmissão até a recepção.
A adoção de veículos elétricos no Japão permanece abaixo de 4%, ficando atrás da Europa (29%) e da China (43%). Um dos obstáculos é a falta de infraestrutura de recarga e o tempo necessário para o carregamento. O carregamento em movimento "poderia reduzir as preocupações com locais de recarga, tempo de carregamento e autonomia", afirmou Ueda.
A tecnologia também poderia permitir que as montadoras reduzissem o tamanho das baterias embarcadas — que representam cerca de um quarto dos custos de produção de um veículo elétrico —, potencialmente diminuindo o preço dos veículos. Veículos mais leves teriam maior autonomia, enquanto a redução da quantidade de metais raros utilizados nas baterias traria vantagens em termos de segurança econômica.
"Em princípio, é possível reduzir o número de células de bateria embarcadas", disse Ueda. O custo continua sendo o maior desafio. O equipamento de transmissão de energia é instalado escavando-se as vias existentes e embutindo os dispositivos abaixo da superfície, o que torna inviável a implementação em toda a rede viária. As empresas afirmam que definirão quais trechos das vias serão equipados com base em fatores como o tipo e o volume de veículos que nelas circulam.
Testar a tecnologia em vias expressas também reflete considerações econômicas, uma vez que os veículos trafegam a velocidades relativamente constantes, sem semáforos ou cruzamentos, facilitando a obtenção de uma alta eficiência de carregamento.
A implementação também é mais simples em rodovias, pois há menos operadores de vias e menos questões de segurança a considerar em comparação com estradas comuns, utilizadas por ciclistas e pedestres.
A durabilidade pode representar outro obstáculo técnico.
"Ao aproveitar a expertise do grupo Taisei, desenvolvida na construção de estradas, podemos criar um pavimento que mantém sua durabilidade mesmo sob o tráfego repetido de veículos pesados", afirmou o responsável por pesquisa e desenvolvimento da Taisei Rotec.
O sistema foi projetado para permitir a manutenção dos equipamentos de carregamento durante as grandes obras de reparo das vias expressas, realizadas aproximadamente a cada 10 anos.
Outros países assumiram a liderança nos testes de tecnologias de carregamento com o veículo em movimento. A startup israelense Electreon concluiu, em 2023, o percurso contínuo mais longo do mundo com essa tecnologia, totalizando cerca de 2.000 quilômetros. Demonstrações também estão em andamento nos Estados Unidos e na França.
A East Nippon Expressway, operadora estatal japonesa de rodovias, planeja iniciar uma demonstração de carregamento em movimento já no ano fiscal de 2027, em um trecho de aproximadamente 300 metros da Via Expressa Tateyama, na província de Chiba, perto de Tóquio. O consórcio Honda-Taisei participa do projeto, juntamente com uma equipe formada pela Toyota, Denso e a empreiteira Obayashi.
A empresa de pavimentação Seikitokyu Kogyo e o Instituto de Tecnologia de Shibaura estão desenvolvendo um sistema que mantém o equipamento de transmissão de energia exposto na superfície da via. A tecnologia está sendo considerada para estradas comuns, incluindo áreas próximas a semáforos.
A construção de qualquer um desses sistemas exigirá investimentos vultosos. As diversas iniciativas ainda não definiram sistemas de cobrança específicos, incluindo a possibilidade de adicionar taxas aos pedágios das vias expressas.
Story published by Valor Econômico. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.
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