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Flávio diz que sofreu 'pré-julgamento' por pedido de dinheiro a Vorcaro para filme sobre Bolsonaro

O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, disse a apoiadores neste domingo (11) que sofreu "pré-julgamento" após a revelação dos pedidos de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Valor Econômico6 min read
Flávio diz que sofreu 'pré-julgamento' por pedido de dinheiro a Vorcaro para filme sobre Bolsonaro

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Ele voltou a negar irregularidades, dizendo se tratar de uma relação privada, e usou o assunto para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Flávio teve encontros com prefeitos e vereadores da capital e região metropolitana de São Paulo, organizados pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Em discursos aos correligionários, o presidenciável acusou o lado rival de disseminar fake news sobre sua candidatura e pediu que os aliados deem "um gás" na campanha até o segundo turno, no dia 25.

"E ninguém [foi] mais perseguido e injustiçado com mentiras aqui do que eu. Muita gente me prejulgou por causa de coisas que as narrativas davam a entender uma coisa diferente. [...] Quando eu vou buscar um financiamento de um fundo privado para um filme privado, o do presidente Bolsonaro, sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República, muita gente começou a prejulgar e apontou o dedo", afirmou.

O candidato à Presidência é um dos investigados pela Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro e de corrupção no financiamento do filme, em um inquérito instaurado após autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar as suspeitas envolvendo o ex-banqueiro do Banco Master.

Na sequência da fala a vereadores, Flávio buscou associar Vorcaro a Lula, fazendo alusão a reportagem da revista Veja sobre um suposto áudio no qual o ex-banqueiro afirmaria ter liberado dinheiro para um filme sobre o petista em troca de negócios no governo. A Procuradoria-Geral da República, a PF e a defesa de Vorcaro negam a existência de depoimentos do investigado e não reconhecem a autenticidade do material.

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Reproduzindo afirmações atribuídas a Vorcaro na gravação, Flávio disse que há declaração do ex-banqueiro sustentando que o pagamento para o filme de Bolsonaro "foi tudo legal, não tem nada de errado", enquanto, no caso da obra sobre Lula, haveria repasses "por fora" e supostas contrapartidas.

Reeleição

Flávio também repetiu a promessa de, caso eleito, não se candidatar à reeleição. "Vou fazer um mandato só. Eu só quero um mandato, para dar o exemplo e provar que eu não estou disputando o poder", disse ele, que usa como bandeira nesse tema uma proposta de emenda à Constituição (PEC) de sua autoria para extinguir a recondução no cargo de presidente da República. O senador também tem defendido que a duração do mandato seja ampliada de quatro para cinco anos, valendo já para quem vencer a eleição deste ano.

Como mostrou o Valor, eventual proposta que aumente o tempo no cargo já na próxima gestão pode ferir a cláusula pétrea da Constituição Federal de direito ao voto periódico, de acordo com juristas. Isso porque os eleitores estão indo às urnas para eleger candidatos que fiquem no cargo nos próximos quatro anos, não mais que isso. No entendimento de especialistas, uma mudança só poderia valer para o mandato seguinte.

Vereadores da base de Ricardo Nunes e lideranças de cidades do entorno ouviram apelos de Flávio para ajudá-lo a "livrar o Brasil desse 'carma' do PT". Um dos presentes foi o vereador Lucas Pavanato (PL-SP), recém-eleito deputado federal com mais de 3 milhões de votos, a segunda maior votação do país para o cargo, atrás apenas da de Nikolas Ferreira (PL-MG), que é seu aliado.

Na primeira parte da agenda em São Paulo, Flávio se dirigiu a prefeitos da região metropolitana e pediu mobilização em prol de sua eleição. O candidato do PL fez uma série de críticas a Lula, negou cortes em programas sociais e acusou a campanha rival de espalhar mentiras. Flávio disse que o cenário está favorável à sua vitória, mas recomendou aos correligionários que permaneçam engajados, tentem conquistar mais votos e estimulem o comparecimento às urnas no dia 25, para reduzir a abstenção.

"O cenário está muito favorável e, principalmente por isso, a gente não pode baixar a guarda, não pode relaxar, não pode nunca botar salto alto", afirmou ele, que ficou à frente de Lula no primeiro turno. Um dos objetivos, segundo ele, deve ser atrair "votos que estão flutuando", de eleitores que escolheram no primeiro turno candidatos como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) — os três declararam apoio a Flávio no segundo turno.

O senador afirmou que uma das estratégias da candidatura adversária é enganar os eleitores e negou a extinção do programa Bolsa Família e o fim do reajuste do salário mínimo. "Causa revolta a quantidade de mentiras que eles estão inventando. Ninguém vai tocar nos programas sociais. Eu vou só melhorar os programas sociais. Quero que as pessoas prosperem", disse. "A gente não pode perder para um governo mentiroso como esse [de Lula]."

Os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), o vice-governador eleito Felicio Ramuth (MDB), além de deputados com mandato e eleitos, também estiveram na reunião do presidenciável com políticos aliados. O grupo sinalizou que vai se empenhar para aumentar a vantagem de Flávio em municípios onde ele ficou à frente de Lula e trabalhar para que ele supere o petista onde perdeu.

Lula também teve compromisso em São Paulo neste domingo, mas em agenda aberta. O presidente participou de caminhada com apoiadores na avenida Paulista e também procurou incentivar a maior presença nas urnas e o trabalho de boca a boca de seus eleitores. Lula declarou que o Brasil não pode perder a democracia "por pior que ela seja", dentro da estratégia de apresentar Flávio como um risco democrático.

De São Paulo, Flávio tem previsão de retornar a Brasília, segundo sua assessoria. A agenda divulgada pela campanha para esta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, prevê a ida do presidenciável a uma missa pela manhã, na Catedral de Brasília. O senador deve retornar a São Paulo na terça-feira (13), para se encontrar com políticos aliados e participar de um evento com o setor produtivo.

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