Senado terá maioria de direita em 2027 e 28 senadores do PL
A onda bolsonarista que deu o tom da campanha impulsionou a vitória dos candidatos da oposição, levando à formação de um Senado majoritariamente de direita, e ao encolhimento do Centrão.

Excerpt
A partir de 2027, o PL do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, sozinho, terá uma bancada de 28 senadores, mais do que um terço do plenário.
O resultado impacta a relação entre os três Poderes, em especial, o Supremo Tribunal Federal (STF), em um momento em que a crise do Banco Master abalou a credibilidade da instituição, e o compromisso com o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino foi bandeira da direita na campanha.
Entretanto, a cúpula do PL avalia que esse resultado ainda é insuficiente para eleger o presidente da Casa se a legenda não sair vitoriosa na eleição presidencial. “Precisamos eleger o Flávio [Bolsonaro], do contrário, não faremos o presidente do Senado”, disse ao Valor o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Segundo ele, a força da máquina do governo influencia a disputa sucessória na Casa. “Máquina é máquina”, complementou.
Mais que a força da direita, a marca do PL, que elegeu 19 senadores, mostrou o fôlego do bolsonarismo, sobretudo diante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar, após a condenação pela tentativa de golpe de Estado. Incomunicável, a força do sobrenome elegeu dois senadores: Michelle Bolsonaro no Distrito Federal e Carlos Bolsonaro em Santa Catarina.
Com 28 senadores, o PL terá a maior bancada a partir do ano que vem, três vezes maior que PT, que ficou com nove, e MDB com oito senadores. O encolhimento do Centrão ficou evidente no tamanho de PP e Republicanos, reduzidos a seis representantes, cada um, e PSD e União, com cinco parlamentares cada um.
Atrás do PL, que elegeu 19 senadores nesse domingo, veio o MDB, que fez sete senadores, e perdeu um quadro histórico: o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (AL), que exerceu quatro mandatos na instituição. Em terceiro ficou o PT, que elegeu seis senadores. PSB, Novo, União e PP elegeram três cada um; Podemos, Republicanos, PSD e PSDB fizeram dois representantes, e o Rede elegeu uma senadora.
Como o Valor havia demonstrado há um ano, quando deflagrou uma série de reportagens sobre o cenário das disputas nos Estados, a eleição para o Senado neste ano ganhou protagonismo inédito em razão da crise do Master, após as revelações das conexões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com ministros do Supremo. A defesa do impeachment de magistrados, principalmente, de Alexandre de Moraes, que relatou o processo da tentativa de golpe de Estado em 2022, e segundo a Polícia Federal (PF), trocou várias mensagens com o fundador do Master.
Cúpula do PL avalia que esse resultado ainda é insuficiente para eleger o presidente da Casa
Valdemar, contudo, acrescentou não acreditar que, mesmo com a maioria de senadores de direita, os processos de impeachment contra ministros do Supremo avancem no Senado. “Se o [presidente] Lula for reeleito, esses processos não andam”, descartou.
No começo de setembro, havia 109 pedidos de impeachment contra dez ministros do STF, mas nenhum deles foi despachado pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). “Isso não é normal”, criticou o senador do Amapá, um dos políticos mais próximos de Moraes. A eventual recondução de Alcolumbre à presidência da Casa depende, diretamente, da vitória de Lula no segundo turno. De outro lado, se Flávio Bolsonaro sair vencedor, o candidato mais forte para a presidência da Casa será o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável do PL.
Em paralelo, se Lula se reeleger no segundo turno, a configuração do Senado indica que enfrentará uma governabilidade ainda mais precária que a atual, com dificuldade para aprovar matérias sensíveis, como a proposta de emenda constitucional (PEC) que extingue a escala de trabalho 6 x 1 ou a PEC da Segurança Pública.
Davi Alcolumbre incluiu na pauta do plenário desta semana a votação da PEC que põe fim à jornada 6 x 1, atendendo ao pleito do governo. No entanto, diante de um Senado fortalecido pela direita, ao mesmo tempo em que ele foi derrotado em sua base e atingido, pessoalmente, pela revelação de diálogos com Daniel Vorcaro, não há garantia de que conseguirá ajudar o governo a obter os votos para aprovar a matéria.
Embora a onda de direita estivesse nos cálculos dos aliados de Lula e das lideranças de esquerda, a derrota de candidaturas ao Senado de fôlego do campo governista, como as ex-ministras do Planejamento Simone Tebet (PSB) e do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) em São Paulo, a deputada Benedita da Silva (PT) no Rio de Janeiro e a ex-deputada Manuela D’Ávila (Psol) no Rio Grande do Sul, que apareceram à frente nas pesquisas, ou em situação de empate, surpreendeu o campo progressista.
A vitória mais expressiva do PT foi da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, em Minas Gerais, em um cenário em que a direita dominou a campanha. O PT também elegeu Samanda Alves no Rio Grande do Norte, e reelegeu Humberto Costa (PE) e Rogério Carvalho (SE). Mas o líder do governo, Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Fabiano Contarato (PT-ES), quadros combativos da sigla, saíram derrotados das urnas.
Aliados leais do campo lulista que também saíram vencedores foram Eduardo Braga (AM) e Veneziano do Rêgo (PB), ambos do MDB, além de Cid Gomes (CE) e do ex-governador João Azevêdo (PB), ambos do PSB. Outra derrota que surpreendeu foi a da senadora Leila Barros (Leila do Vôlei), do PDT, que figurou à frente da deputada Bia Kicis (PL-DF) em algumas pesquisas no embate pela segunda vaga. Em contraponto, o PDT elegeu Marília Arraes em Pernambuco.
Story published by Valor Econômico. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.
Read next

Focus: mercado reduz projeção para PIB de 2026 e eleva estimativa para inflação

Trump confunde Brasil com Índia ao comentar eleição presidencial

Agenda de empresas: Controlador da Unifique propõe fechamento de capital; dona da TIM tem novo controlador

Agenda do dia: Índice de gerente de compras dos EUA e reunião do BC com economistas são destaque
Newsletter
The world does not fit in your feed. The right summary fits in your morning.
Get the Newra Daily by email: the day’s article, written from the main stories, in a single read.