Ciberataques globais expuseram dados de pelo menos 320 milhões de pessoas desde setembro, diz estudo
Vazamentos de dados em escala global expuseram informações pessoais de pelo menos 320 milhões de pessoas apenas desde setembro, segundo um levantamento do “Nikkei Asia”. Suspeita-se que, em alguns desses casos, tenha havido o uso de inteligência artificial.

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O “Nikkei Asia” analisou incidentes divulgados em todo o mundo que afetaram pelo menos 100 mil pessoas. As fontes incluem comunicados de empresas e governos, bem como informações de terceiros, como empresas de pesquisa.
Também foram consideradas as reivindicações de autoria feitas pelos invasores, mas apenas nos casos em que as empresas afetadas confirmaram a ocorrência das invasões.
O Identity Theft Resource Center, sediado nos Estados Unidos, registrou uma estimativa de 471,2 milhões de notificações de vítimas de vazamento de dados no primeiro semestre de 2026. Embora não seja possível fazer uma comparação direta, as estimativas do “Nikkei Asia” para o período a partir de setembro podem indicar um aumento acentuado nesses casos.
Cópias digitais de 153 milhões de carteiras de motorista dos Estados Unidos foram vazadas da empresa de verificação de identidade IDScan.net. Um blog de segurança americano relatou que esses dados estavam sendo comercializados em um fórum russo de crimes cibernéticos na “dark web”. Posteriormente, a IDScan informou que um terceiro obteve acesso não autorizado a parte de seus sistemas entre 4 de abril e 2 de setembro.
A Dodo Brands, operadora multinacional de redes de pizzarias sediada no Cazaquistão, teve dados de 68 milhões de clientes roubados em um ataque hacker. A empresa comunicou o incidente às autoridades russas e turcas no final de setembro.
O Japão respondeu por 20 dos 35 vazamentos analisados, totalizando 57 milhões de vítimas. Entre as empresas afetadas estão a operadora de redes de churrascarias Monogatari e a prestadora de serviços de compartilhamento de veículos Park24, com 10,78 milhões e 6,6 milhões de clientes atingidos, respectivamente.
Ao contrário de ciberataques anteriores, que visavam paralisar sistemas corporativos ou mantê-los reféns por meio de “ransomware”, parece haver um aumento nas tentativas de roubo de dados pessoais.
A inteligência artificial tem sido apontada como um fator contribuinte. O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, afirmou na terça-feira que a IA pode ter estado envolvida em uma recente onda de ataques cibernéticos contra instituições financeiras do país, expondo dados de pelo menos 65 mil clientes. A Korea Electric Power Co. e algumas universidades também registraram incidentes semelhantes.
"É possível que, com o uso de IA para dar suporte a ataques, grupos que antes se dedicavam a atividades como fraudes tenham passado a realizar ataques cibernéticos", disse Yutaka Sejiyama, do centro de pesquisa em segurança da empresa de tecnologia japonesa Macnica.
Atualmente, criminosos têm acesso mais fácil a programas de IA poderosos. O modelo GLM-5.3, lançado em agosto pela chinesa Z.ai e amplamente disponível, apresentou desempenho semelhante ao do modelo Mythos Preview, da Anthropic (lançado em abril), segundo o Centro dos Estados Unidos para o Avanço da Inovação e Padrões de Superinteligência.
Um engenheiro de segurança cibernética de uma empresa de tecnologia vítima de um vazamento de dados observou um fluxo incessante de ataques — mais rápidos do que qualquer ação humana —, mas sem a regularidade típica de ferramentas de automação.
"Foi um método de ataque que nunca vi antes", disse o engenheiro. "Foi algo perturbador."
O uso de IA para defesa envolve mais limitações, conferindo vantagem ao atacante, embora a tecnologia também possa ser utilizada para identificar e corrigir vulnerabilidades.
"É difícil usar IA para interromper um ataque em tempo real", afirmou Michiaki Ito, executivo-chefe (CEO) da ChillStack, empresa que oferece serviços baseados em IA para detectar acessos não autorizados a sistemas.
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