Skip to content
Newra News
Economy

Mercado de capitais consolida papel estratégico no financiamento da economia real

O financiamento da atividade econômica brasileira vive uma transformação estrutural. Histórico e eixo central na concessão de crédito no país, o sistema bancário tradicional passa a dividir o protagonismo com o mercado de capitais, que se consolidou como pilar indispensável para o financiamento de longo prazo.

Valor Econômico5 min read
Mercado de capitais consolida papel estratégico no financiamento da economia real

Excerpt

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o estoque de recursos financiados por meio do mercado de capitais atingiu a marca de R$ 8,9 trilhões em agosto de 2026, o equivalente a aproximadamente 67,1% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o ano.

Esse avanço reflete uma mudança na estrutura de capital das empresas brasileiras. Em dezembro de 2025, 33,6% dos recursos captados por empresas não financeiras tinham origem no mercado de capitais. O percentual alcança patamar equivalente ao dos empréstimos bancários tradicionais, que responderam por 33,3% do total das captações no mesmo período. Segundo a Anbima, a paridade entre as duas fontes evidencia que a captação via valores mobiliários deixou de ser uma alternativa restrita a poucas corporações e passou a integrar a rotina financeira do setor produtivo.

A expansão do setor apoia-se em uma diversidade de instrumentos capazes de atender a diferentes perfis de investidores, prazos e demandas de projetos. Entre as modalidades com papel decisivo na atração de investimentos para áreas prioritárias estão as debêntures incentivadas. Criadas para fomentar a infraestrutura por meio da isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas, as debêntures incentivadas somaram captações de aproximadamente R$ 497,1 bilhões entre 2018 e 2025, dados apontados pelo estudo “Agenda para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro”, da Anbima. Desse montante acumulado, 86% dos recursos captados foram destinados a projetos do setor de infraestrutura, tais como obras de transporte, logística e energia.

Diversificação e abrangência do crédito

A abrangência das emissões no mercado de capitais também se traduz no volume de companhias beneficiadas. Somente ao longo de 2025, mais de 3,5 mil empresas obtiveram financiamento por meio de instrumentos do mercado de capitais. O alcance desses títulos vai além das grandes corporações, permitindo que pequenas e médias empresas, além de projetos focados em inovação, acessem estruturas de financiamento desenhadas para a sua realidade operacional.

De acordo com Zeca Doherty, CEO da Anbima, o mercado de capitais ganha cada dia mais espaço no financiamento ao setor produtivo, mostrando-se como alternativa ou complemento ao financiamento bancário ou de agentes de fomento. “Para dar continuidade a esse movimento é fundamental que se crie um ambiente de negócios compatível com os desafios atuais e futuros", afirma.

A evolução dos valores estocados nos últimos anos demonstra essa trajetória de crescimento. O estoque total do mercado de capitais passou de R$ 3,8 trilhões em 2018, equivalente a 54% do PIB daquele ano, para R$ 8,7 trilhões em dezembro de 2025 e alcançou R$ 8,9 trilhões em agosto de 2026. Ao se considerar o conjunto mais amplo de instrumentos e carteiras contemplados no levantamento, o volume total atingiu R$ 12,8 trilhões em agosto de 2026.

Essa evolução foi impulsionada pelo avanço dos títulos de dívida corporativa e dos fundos estruturados. O estoque de debêntures, por exemplo, passou de R$ 346 bilhões em 2018 para R$ 1,5 trilhão em agosto de 2026, volume mais de quatro vezes superior ao registrado no início do período. Na mesma linha, instrumentos focados na securitização de recebíveis — como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) — registraram forte expansão.

A consolidação dessas estruturas permitiu transformar créditos de curto prazo em ativos líquidos negociáveis, injetando recursos diretamente na produção rural, no desenvolvimento imobiliário e na capitalização das empresas. Paralelamente, o mercado acionário e os Fundos de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) ampliaram o leque de alternativas à disposição dos tomadores.

Financiamento ao agronegócio e ambiente institucional

O papel do mercado de capitais demonstra especial relevância na alocação de recursos para o agronegócio, segmento que demanda financiamentos volumosos para manter a produção e os investimentos na cadeia produtiva. O estoque total de títulos vinculados ao setor agropecuário atingiu R$ 1,37 trilhão em dezembro de 2025.

Em dezembro de 2025, as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somaram R$ 562,9 bilhões, enquanto as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) alcançaram R$ 600,2 bilhões. Os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) totalizaram R$ 31,9 bilhões e os CRAs chegaram a R$ 178,4 bilhões no mesmo mês.

Embora o crédito bancário e de agentes não bancários com lastro agropecuário ainda responda por parcela expressiva do financiamento, os instrumentos do mercado de capitais ganham espaço. O estoque de CRAs e de Fiagros representava 33% do crédito rural no período recente, ante 19% registrados anteriormente. A diversificação reduz a dependência exclusiva do crédito oficial e das subvenções governamentais, como o Plano Safra.

A capacidade do mercado de capitais de atuar como indutor do desenvolvimento está ligada às condições do ambiente institucional e regulatório. Quanto mais eficiente for o ecossistema financeiro, maior é a eficácia na conversão de poupança financeira em investimentos produtivos.

Para assegurar a sustentabilidade desse crescimento, a Anbima defende o fortalecimento de premissas institucionais ligadas à segurança jurídica e à estabilidade das regras. A previsibilidade regulatória e o equilíbrio macroeconômico são apontados como elementos centrais para manter a confiança dos investidores e viabilizar alocações de capital de longo prazo.

A "Agenda para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro", elaborada pela Anbima, traz posicionamentos institucionais consolidados. O material reúne análises sobre o ambiente de negócios com o objetivo de apoiar a construção de cenários favoráveis ao financiamento do setor produtivo, destacando a relevância de preservar a estabilidade econômica, mitigar riscos regulatórios e reduzir entraves burocráticos e o Custo Brasil.

Estoque de instrumentos/carteiras

Arte G.Lab

Read at source

Story published by Valor Econômico. Newra News collects and organizes it; the text and the reporting are the outlet's.

Read next

Newsletter

The world does not fit in your feed. The right summary fits in your morning.

Get the Newra Daily by email: the day’s article, written from the main stories, in a single read.

One email a day. Unsubscribe whenever you want, in one click.