Amazonas registra 1,3 mil focos de incêndio em dez dias, alta de 271% em relação ao mesmo período de 2025
Incêndio florestal é registrado no interior do Amazonas

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Liam Cavalcante/Rede Amazônica
O Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio nos primeiros dez dias de outubro de 2026, um aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 registros. Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Do total registrado neste mês, 1.186 focos foram identificados em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais cuja situação fundiária não foi definida. No mesmo período, 246 focos foram registrados em áreas de assentamentos federais, 116 atingiram terras indígenas e 97 ocorreram em unidades de conservação.
Além disso, 174 focos foram classificados como relacionados ao desmatamento. Para os demais registros, o painel não apresenta uma causa identificada.
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🔎 O Painel do Fogo é uma ferramenta interativa que reúne informações sobre incêndios e queimadas no Brasil e permite acompanhar a distribuição dos registros pelo território.
Um dos incêndios registrados no período atingiu a região do Lago do Canaçari, na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas, que é investigado como criminoso. Outros focos também foram registrados em Careiro da Várzea entre quinta-feira (8) e sexta-feira (9).
O g1 questionou o Corpo de Bombeiros se as equipes seguem atuando neste sábado para combater as queimadas. Em nota, a instituição informou que está atuando em 33 municípios no combate imediato a focos de incêndios, mas não informou quais as localidades.
Oito suspeitos foram identificados
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Itacoatiara informou que investiga a autoria do incêndio em Canaçari e em outras localidades da zona rural do município. Até a publicação desta reportagem, oito suspeitos de provocar queimadas haviam sido identificados. Um deles é suspeito de envolvimento no incêndio do Canaçari.
Os casos serão encaminhados à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) para as providências legais.
Fogo destruiu vegetação na zona rural de Itacoatiara, no Amazonas.
Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Incêndios no Amazonas
Além do Lago do Canaçari, há focos de incêndio em outras localidades da zona rural de Itacoatiara, como Jacarezinho, Rio Arari e Rio Urubu.
Na região do Jacarezinho, a área queimada soma 256,71 hectares, o equivalente a cerca de 360 campos de futebol.
No município de Careiro da Várzea, um forte incêndio foi registrado em uma área de vegetação há mais de dez dias. Os registros incluem chamas na comunidade Bom Futuro, áreas destruídas pelo fogo no distrito de Autaz Mirim e um incêndio na comunidade Jatuarana.
Já em Parintins, 20 focos de incêndio foram registrados na quinta-feira (8). As ocorrências foram identificadas tanto na cidade, quanto na zona rural do município. As queimadas destroem plantações e já afetam o preço dos alimentos vendidos na cidade.
Em Boa Vista do Ramos, pelo menos oito focos de incêndio foram registrados na quarta-feira (8). Além da fumaça, a situação preocupa os moradores pela dificuldade de combater as chamas e pelos impactos sobre os animais silvestres.
FOTOS: Fumaça encobre cidades e queimadas deixam rastro de destruição no Amazonas; veja registros
Fumaça derrubam qualidade do ar
O aumento dos focos de incêndio na região são acompanhados pela fumaça que encobre cidades amazonenses e afetou a qualidade do ar. Na manhã de sábado (10), e a concentração de partículas chegou a 209,1 µg/m³ em um dos pontos monitorados na capital amazonense.
O índice supera em 736,4% o limite de 25 µg/m³ usado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), para classificar a qualidade do ar como boa.
Manaus permaneceu em estado de atenção neste sábado. Segundo a prefeitura, o status foi alterado desde 24 de setembro. A classificação é adotada quando uma ou mais ocorrências afetam a cidade e há previsão de um evento de alto impacto no curto prazo.
Camada de fumaça encobre Manaus há dias
Outros municípios também registram piora em qualidade do ar
A piora também atingiu municípios da Região Metropolitana de Manaus. Em Itacoatiara, a concentração de partículas chegou a 2.016,1 µg/m³, por volta de 6h. Na cidade, a Defesa Civil disparou um alerta por volta de 8h20, recomendando o uso de máscaras ao sair de casa e pediu que a população evite exposição à fumaça.
Em Careiro, o índice alcançou 121,4 µg/m³, nível classificado como muito ruim. Já em Careiro da Várzea, o índice da plataforma chegou a 144,1. também em nível considerado péssimo.
Moradores relatam problemas para respirar
Ao g1, moradores relataram problemas para respirar, irritação na garganta, noites mal dormidas e prejuízos ao trabalho. Por dois dias consecutivos, a capital amazonense registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir.
A autônoma Márcia Mendes, que tem rinite e sinusite, relatou que a poluição tem agravado os problemas respiratórios. Segundo ela, a fumaça provoca irritação na garganta, congestão nasal e crises de espirros ao longo do dia. À noite, a dificuldade para respirar e as dores de cabeça prejudicam o sono.
"Manaus, no Amazonas, é conhecida como o pulmão do mundo, mas a gente está sufocando com toda essa fumaça. Está prejudicando todo mundo", afirmou.
O autônomo Valdeci Moraes de Castro relatou que a poluição invade até as casas e dificulta o descanso. Ele criticou a falta de respostas do poder público e demonstrou preocupação com os efeitos da fumaça sobre a população, principalmente idosos e pessoas com problemas respiratórios.
"Nem em casa pode dormir. A fumaça entra toda para dentro do quarto. O ar está horrível", afirmou.
Fumaça de queimadas florestais encobre a cidade de Manaus (AM), deixando a qualidade do ar em nível péssimo na capital e nas cidades da região metropolitana, nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026.
EDMAR BARROS/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Reforço com aeronaves
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou o envio de mais seis aeronaves e 290 brigadistas para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas.
As primeiras aeronaves enviadas pelo governo federal para auxiliar no combate à queimadas florestais no Amazonas chegaram a Manaus na tarde de sábado (10).
Dois helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) , pousaram no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, por volta das 13h. Outros quatro aviões aterrissaram na Base Aérea de Manaus por volta das 16h.
De acordo com superintendência do Ibama, os dois helicópteros inicialmente serão utilizados para o transporte de efetivo. No domingo (11), está prevista a chegada do bambi bucket, estrutura suspensa por cabos, utilizada por helicópteros no transporte de água para apagar incêndios.
Já os aviões, modelo Air Tractor, serão usados no lançamento de água. As últimas três aeronaves devem chegar a capital amazonense no domingo (11), segundo o Ibama.
Avião modelo Air Tractor chega a Manaus para auxiliar no combate à queimadas florestais.
Jucélio Paiva/Rede Amazônica
Falta de chuvas agrava incêndios no Amazonas; fumaça já afeta mais de 20 cidades, incluindo a capital
Jornal Nacional/ Reprodução
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