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Zema termina campanha menor do que entrou

Zema: sem direito a horário gratuito, candidato do Novo teve que concentrar divulgação nas redes sociais

Valor Econômico5 min read
Zema termina campanha menor do que entrou

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Marcus Pena/TV Integração

Eleito governador de Minas Gerais na sua primeira candidatura, em 2018, e reeleito quatro anos depois, Romeu Zema (Novo) chega ao fim da campanha pela Presidência da República com baixo desempenho. A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º de outubro) mostra o candidato com 1% das intenções de voto. Em Minas Gerais, Zema termina a eleição menor do que entrou. O candidato começou a campanha com 12% das intenções de voto no Estado (segundo a Quaest), índice que encolheu ao longo das semanas, chegando a 3% na última leitura.

Além das dificuldades para deslanchar nas pesquisas, Zema falhou em formar sucessor para governar o Estado. Mateus Simões (PSD), que foi secretário de Governo e vice-governador nas duas gestões de Zema, tem hoje 4% das intenções de voto, segundo o Datafolha, tendo variado entre 4% e 5% desde agosto.

Para o cientista político Adriano Cerqueira, a campanha de Zema enfrentou um problema estrutural. “Boa parte do seu eleitorado é bolsonarista. Quando Zema se lançou candidato a presidente, a expectativa de ter uma boa base em Minas Gerais se frustrou, porque o Jair Bolsonaro transferiu o legado para o seu filho Flávio Bolsonaro. A maioria dos eleitores do Bolsonaro escolheu o filho como candidato”, avalia Cerqueira. Para o cientista político, o ex-governador deveria ter feito uma composição de chapa com Flávio, ou disputar uma vaga no Senado, para ter mais chances. “Faltou uma boa avaliação do quadro político-eleitoral nacional”, acrescenta Cerqueira.

Também pesou contra a decisão do candidato buscar um afastamento de Flávio, desde que foi revelada a proximidade do senador com Daniel Vorcaro, do Banco Master. A crítica do ex-governador ao candidato do PL foi interpretada como oportunismo por bolsonaristas e até por correligionários do Novo no Sul. Nas últimas semanas, o Zema teve a candidatura esvaziada pelo esforço do PL de incentivar o voto útil já no primeiro turno. O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) renunciou à candidatura ao Senado para apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) e sinalizou que Zema poderia fazer o mesmo. Os candidatos ao Senado do Novo Marco Antônio Superman (Minas Gerais), Deltan Dallagnol (Paraná), Marcel van Hattem (Rio Grande do Sul) e Sebastião Coelho (Distrito Federal) declararam apoio a Flávio, aumentando a pressão.

Campanha do presidenciável do Novo investiu em ofensiva contra os ministros do Supremo

Até o pupilo de Zema, Mateus Simões, que apoiava o candidato, anunciou apoio a Flávio durante debate da TV Globo Minas na terça-feira (29). “Espero que seja Flávio Bolsonaro, porque não é possível continuarmos vivendo com Lula no poder”, declarou.

Mas Zema segue resoluto. Na segunda-feira se pronunciou oficialmente. “Levo a minha proposta até o final”, disse em vídeo. O presidente do Novo em Minas Gerais, Christopher Laguna, apoiou o candidato. “O partido continua seguindo firme com Zema. Às vezes, por falta de opção, tentam polarizar. Mas renunciar é renegar uma possibilidade ao Brasil e ao eleitor”, diz Laguna.

Ao longo da campanha, o mineiro reforçou as críticas ao PT, ao presidente Lula (PT) e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), após de notícias sobre supostas ligações entre os magistrados e o banco Master. O objetivo era dar a Zema um perfil de candidato anti-sistema, após duas eleições sendo apresentado como gestor vindo do setor privado. O comportamento mais pacato e gentil deu lugar a um candidato com postura mais agressiva.

A ofensiva contra ministros foi tema da série “Os Intocáveis”, divulgada nas redes sociais. Os vídeos feitos com inteligência artificial foram criados pelo marqueteiro Renato Pereira, antigo estrategista de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes. O ministro do STF Gilmar Mendes apresentou queixa-crime por calúnia à Procuradoria-geral da República contra Zema por conta da série.

Sem direito a horário eleitoral gratuito, Zema investiu em divulgação nas redes sociais, entrevistas e corpo a corpo com eleitores nos maiores colégios eleitorais. Suas viagens se concentraram principalmente no Sudeste e Sul do país, com agendas mais numerosas em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

Além das críticas ao STF e ao PT, o candidato defendeu em sua campanha uma agenda liberal, com foco em privatizações, redução do tamanho do Estado e corte dos bastos públicos. No campo social, propõe criar o programa Sócios do Brasil, pelo qual o governo faria um depósito de R$ 1 mil para cada brasileiro ao nascer. Esse valor seria aplicado em fundos de ações, com saque permitido aos 18 anos, com intenção de estimular educação financeira e poupança de longo prazo. Também defende a flexibilização de leis trabalhistas e a redução da maioridade penal.

Zema também defende mudanças no STF, devolvendo ao Supremo o papel estrito de Corte Constitucional. Na política externa, propõe a saída do Brasil do bloco dos BRICS e foco em acordos comerciais bilaterais e na adesão à OCDE, aproximando o país, segundo ele, de parceiros democráticos e reduzindo o alinhamento com regimes considerados autoritários.

Romeu Zema Neto nasceu em Araxá (MG), em 1964, é formado em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), divorciado e pai de dois filhos. Atuou como empresário antes de se dedicar à política. Herdeiro do Grupo Zema, de varejo, distribuição de combustíveis, concessionárias e financeiras, trabalhou em diversas funções no grupo, até comandar o conglomerado, de 1990 a 2016.

Em 2018, candidatou-se pela primeira vez ao governo de Minas Gerais, pelo Novo, e foi eleito com 73% dos votos válidos no segundo turno. Em 2022, reelegeu-se em primeiro turno, com 56% dos votos válidos. Em março de 2026, renunciou ao governo para se dedicar à disputa presidencial. Zema chegou a negociar alianças com outras legendas, mas acabou fechando uma chapa pura, tendo como candidato a vice-presidente o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

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