Com emendas e mandato, Angelo Coronel não renova cadeira no Senado
O cenário político na Bahia confirmou que o exercício de um mandato parlamentar e a disposição de orçamentos e emendas impositivas não garantem, por si sós, a recondução ao Congresso Nacional.

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O senador Angelo Coronel (Republicanos) não conseguiu assegurar a renovação da vaga para o Senado Federal, encerrando a trajetória na Casa após cumprir um único mandato, exercido entre 2018 e 2026.Rompimento com a base do PTA derrota ocorre na esteira de um conturbado rearranjo de alianças no estado. Eleito originalmente na chapa governista baiana, Coronel enfrentou forte afunilamento interno dentro do bloco governista para a definição das duas vagas ao Senado em dispute. Com a forte pressão do Partido dos Trabalhadores (PT) para abrigar os nomes do ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner no pleito, o espaço do parlamentar ficou inviabilizado no grupo.O desgaste levou ao rompimento oficial de Angelo Coronel com a base petista liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues. Em janeiro de 2026, ele anunciou a saída do Partido Social Democrático (PSD) e o desligamento do grupo aliado para migrar para a oposição e filiar-se ao Republicanos, declarando que "não aceitaria papel de subserviência dentro da coligação". Recursos de campanhaPara disputar a reeleição pelo campo oposicionista, a campanha de Angelo Coronel contou com expressivo aporte de recursos públicos via Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) disponibilizado pela legenda.O resultado da eleição ao Senado na Bahia mostrou que nem o uso do Fundo Eleitoral, nem as prerrogativas do mandato parlamentar foram suficientes para garantir a reeleição de Angelo Coronel.Mesmo dispondo do teto de financiamento e do peso do orçamentarismo federal, o parlamentar encerrou sua trajetória na Câmara Alta após cumprir um único mandato na Casa.R$ 3,9 milhões da verba eleitoralDe acordo com os dados oficiais do sistema DivulgaCandContas do TSE, a campanha de reeleição de Angelo Coronel recebeu R$ 3.900.000,00 em recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), repassados pela direção nacional do Republicanos.O expressivo valor do financiamento se somava ao forte cacife político acumulado ao longo da passagem por Brasília, onde atuou diretamente na distribuição de emendas impositivas para as bases municipais e ocupou posições de destaque no Congresso Nacional. Contudo, o montante investido e o direcionamento das verbas não conseguiram reverter os prejuízos de sua reconfiguração política.Apesar do uso das prerrogativas do cargo — incluindo a liberação de emendas impositivas ao longo dos anos para bases municipais —, a perda do palanque governista e a mudança para o bloco de oposição foram determinantes para a inviabilidade da recondução ao Senado.As arrecadações e detalhes das receitas e despesas eleitorais podem ser verificados e acompanhados na página oficial de prestação de contas no portal DivulgaCandContas do TSE.
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