Economia é maior apelo de aparelho mais eficiente
Simone Camargo, da Midea Carrier: inteligência artificial no ar-condicionado ajuda a reduzir o consumo, compreendendo os hábitos dos clientes

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Divulgação
A transição energética é instantaneamente associada à expansão de fontes renováveis, como eólica e solar, e carros elétricos. No entanto, ela também se traduz em escolhas feitas dentro de casa. A opção por eletrodomésticos com maior eficiência e a forma e o tempo de operação desses equipamentos são muito relevantes no consumo da energia elétrica no país.
Atualmente, são quase 85 milhões de residências são responsáveis por praticamente um terço do uso de energia elétrica no Brasil, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia. Em 2025, o gasto com energia elétrica residencial chegou a quase 180 terawatts-hora. Esse consumo varia segundo renda e localização.
“Num país enorme e tão diferente, como o Brasil, os principais ‘vilões’ do consumo de energia mudam conforme a região do país”, explica o físico e pesquisador do tema Oswaldo Sanchez Jr., do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “No Norte e no Centro-Oeste, destaca-se o ar-condicionado, por conta da necessidade de conforto ambiental. No Nordeste, o principal gasto é com a conservação de alimentos em geladeiras. No Sul e Sudeste, é o aquecimento de água, via chuveiro.”
O diretor de energia sustentável e bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética Clauber Leite avalia que na hora da compra a decisão ocorre sobretudo em razão do preço. “Ele [consumidor] não tem clareza do custo-benefício a longo prazo. No caso de um ar-condicionado, por exemplo, a diferença de valores de um aparelho mais eficiente se recuperaria em menos de um ano de uso com economia na conta de luz”, comenta.
Marcelo Colomer, professor e fundador do grupo que estuda economia de energia na UFRJ, também considera que o fator financeiro é preponderante: “O consumidor escolhe a etiquetagem porque sua conta de luz vai reduzir”, diz se referindo às etiquetas presentes nos aparelhos. No início do ano, o Inmetro elevou a régua, permitindo apenas a comercialização no país de aparelhos de classe A, B e C, mais eficientes.
Victor Simão, chefe da divisão de regulamentação e qualidade do Inmetro, diz que “cerca de 75% da população sabe que a etiqueta existe, e 68% levam essa informação em consideração no momento da compra”. E que elas contribuem para a competitividade do mercado de eletrodomésticos. “Um grande exemplo disso são as lâmpadas LED, que antes eram caras e hoje baratearam muito em razão das políticas públicas para a troca das antigas incandescentes.”
“No Brasil, o consumo consciente se traduz em busca por informação: pesquisa, comparação e foco no valor”, afirma Miguel Rojo Santamaría, diretor-geral da empresa de tecnologia de anúncios para o varejo Flipp, presente em 27 países. “Mas apenas 9% colocam a sustentabilidade entre suas três principais prioridades, de acordo com uma pesquisa que realizamos em setembro.” Sua empresa é capaz de computar e analisar quais informações o consumidor observou, em pesquisas online, ao tomar a decisão de compra.
O presidente do departamento nacional de ar-condicionado da Abrava, a associação de classe do setor, reflete que o mercado passa por uma grande mudança cultural. “A discussão agora deve focar a eficiência ao longo de toda a vida útil do produto, que dura de 10 a 20 anos [ar-condicionado], e não apenas no custo do investimento inicial”, afirma, celebrando o fato de o Brasil ter se tornado o segundo maior mercado desse tipo de aparelho, com taxa de crescimento anual em torno de 10%.
Entre as novidades apresentadas pelos fabricantes de eletrodomésticos, como a Midea Carrier, está a introdução de inteligência artificial (IA) para reduzir o consumo, compreendendo os hábitos dos clientes. “A IA oferecida em nossos aparelhos de ar-condicionado aprende com o comportamento do consumidor e ajusta o funcionamento para que o equipamento flutue ainda menos do que um inverter comum. Isso gera um ganho de 30% de eficiência”, afirma Simone Camargo, diretora de marketing da companhia.
A Electrolux também introduziu IA e machine learning com o propósito de reduzir o consumo de seus produtos. “O consumidor não está disposto a pagar mais apenas pelo apelo da sustentabilidade, mas até as famílias de menor renda buscam eficiência energética para evitar o impacto direto do consumo na conta mensal”, diz João Zeni, diretor de sustentabilidade da empresa.
Fabiane Barbosa, coordenadora do programa de eficiência energética da Energisa, que atende a cidade de Cuiabá, considerada a capital mais quente do país, lembra que manutenção correta deve estar na ordem do dia, quando se trata de eficiência energética residencial. A executiva afirma que a empresa investiu R$ 73,6 milhões, em 2025, em iniciativas voltadas para eficiência energética. “No Mato Grosso, em 2025, trocamos mais de 400.000 lâmpadas, 6.100 refrigeradores e quase 19.000 ventiladores, beneficiando diretamente 380.000 pessoas, além de realizar programas de conscientização em escolas públicas do Estado.”
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