Campanha de Flávio investe em redes sociais o triplo de Lula
Duda Lima: empresa de marqueteiro de Flávio foi maior fornecedora

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Reprodução
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) priorizou as redes sociais na disputa pela Presidência e gastou mais do que o triplo que a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para impulsionar conteúdo eleitoral na internet. Pressionada por mudanças na comunicação, a candidatura de Lula investiu até o início do segundo turno mais em adesivos e material impresso do que nas redes. Mesmo sem o efeito prático como o esperado, a equipe petista pretende seguir com parte de seus recursos voltada ao papel.
Flávio destinou ao menos R$ 9 milhões para o impulsionamento de conteúdos na internet. Deste montante, R$ 7,45 milhões foram pagos ao Facebook, para ampliar o alcance das publicações. Já a campanha de Lula destinou R$ 2,69 milhões para o impulsionamento de conteúdo digital, sendo R$ 2,59 milhões para o Facebook, segundo os dados registrados na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral até o início da noite de terça-feira (6).
Os gastos com impulsionamento são a segunda maior despesa da campanha de Flávio, só atrás do “pagamento de serviços prestados por terceiros”, que soma R$ 41,1 milhões. Entre os cinco maiores gastos do candidato do PL, estão também transporte (R$ 4,89 milhões), advogados (R$ 3,3 milhões) e adesivos (R$ 3,1 milhões).
Na lista dos cinco maiores fornecedores da campanha, o Facebook está em segundo lugar (R$ 7,45 milhões). Em primeiro está a agência de propaganda e publicidade F.A.R.O., do publicitário e marqueteiro da campanha, Duda Lima (R$ 13,1 milhões). Na sequência estão a produtora de vídeos Paranoa Digital (R$ 5 milhões), a empresa de tecnologia Áurea (R$ 3,7 milhões) e a Algoritmo Dados Estratégia e Comunicação (R$ 3,6 milhões).
Já na campanha de Lula, os gastos com o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais não estão nem entre as maiores despesas. Os cinco maiores gastos são o pagamento de serviços prestados por terceiros (R$ 40,7 milhões), eventos para promover a candidatura (R$ 6,2 milhões), advogados (R$ 4 milhões), adesivos (R$ 3,8 milhões) e material publicitário impresso (R$ 3 milhões). O maior fornecedor é a Delta3 Comunicação, agência do marqueteiro da campanha, Raul Rabelo, e de Francisco Mascarenhas Kertész, que recebeu R$ 31 milhões - quase o triplo do que a campanha de Flávio pagou a Duda Lima.
Mesmo com boa parte dos recursos voltada à forma impressa, diretórios estaduais e municipais relataram, ao longo da campanha, dificuldades para receber adesivos, bandeiras, santinhos e outros materiais de divulgação de Lula.
Aliados de Lula nos últimos dias avaliam que é preciso investir mais em redes
Ao começar o segundo turno em desvantagem, a campanha de Lula tem sido pressionada por aliados e pelo próprio presidente a se reinventar e mudar a comunicação. A campanha avalia gastar menos com o aluguel de grandes espaços para realizar eventos de campanha, como foi o aluguel do estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, ao custo de R$ 120 mil, para o lançamento oficial do petista em 16 de agosto.
Em uma das autocríticas feitas por aliados de Lula nos últimos dias, há uma leitura de que é preciso investir mais nas redes sociais e impulsionamento. O campo progressista considera que a direita consolidou presença nas redes sociais ao longo dos últimos anos e atribui parte da vitória de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 à capacidade de explorar esse espaço, fidelizar sua base e ampliar seu eleitorado.
Apesar disso, a equipe petista ainda mantém a aposta que o material impresso pode surtir efeitos para a vitória de Lula. A ideia que está em discussão na cúpula do PT é investir em folhetos que tragam, de forma sintetizada, uma comparação entre os programas de governo de Flávio e de Lula. Ainda, há uma ideia de que a legenda faça material personalizado para cada Estado, dialogando com as principais preocupações de cada região.
Em vantagem no início do segundo turno, Flávio já gastou mais do que a campanha de Lula. Até essa terça-feira, a campanha do candidato do PL teve despesa de R$ 66 milhões e a do presidente, de R$ 65,6 milhões.
A campanha de Lula, por outro lado, recebeu mais recursos, até agora, do que a de Flávio: foram R$ 87,6 milhões ante R$ 68,2 milhões do candidato do PL.
A maior parte dos recursos (97,3%) da campanha de Lula veio do PT, por meio do fundo especial (R$ 85,34 milhões). O restante foi de doações de pessoas físicas. A concentração de dinheiro do PT na corrida presidencial gerou queixas no primeiro turno de candidatos a governador, senador e deputado em todo o país, e de diretórios estaduais, que reclamaram da falta de recursos e de material para divulgar as candidaturas.
Já a campanha de Flávio recebeu R$ 61,2 milhões do PL, 89,6% do total. O restante é de doações de pessoas físicas, num valor maior do que o recebido até agora por Lula: o senador do PL recebeu R$ 7,89 milhões destinados por pessoas físicas e o presidente, R$ 2,1 milhões, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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